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#OCÉU178: A Bíblia versus o Secularismo – PARTE 105

Série de sermões expositivos sobre O Céu. Sermão Nº 178  –  O sexto dia da criação: a criação do homem (Parte 151).  Gn 1:27: a Bíblia versus o Secularismo (Parte 104). Pregação do Pastor Jairo Carvalho em 22/10/2025.

INTRODUÇÃO:

Meus amados irmãos, estamos na 153ª parte de nossa jornada sobre a Criação do Homem, e no capítulo 101 de nossa série “A Bíblia versus o Secularismo”. Nosso texto fundamental, a rocha sobre a qual construímos nossa identidade, é Gênesis 1.27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” Essa declaração não é apenas um registro histórico. Ela é a definição do nosso propósito. Fomos criados para Deus. Fomos feitos para refletir Sua glória e viver em comunhão com Ele. Quando essa comunhão é distorcida ou negligenciada, a própria estrutura de nossa alma adoece.

O secularismo, nosso grande adversário nesta série, ele é uma tentativa de construção de céu, sem Deus e sem as Escrituras.  Por isso, o secularismo vê os sintomas dessa doença. Ele vê a ansiedade, vê o esgotamento, vê o vazio. Mas ele oferece apenas diagnósticos superficiais: desequilíbrio químico, má gestão da vida, tédio existencial. Ele tenta tratar a alma humana sem reconhecer seu Criador.

Estamos analisando o poema de Dante “A Divina Comédia”, viajando com Virgílio e Dante agora no Quinto Círculo do Inferno, onde estão os que são castigados pelos pecados da ira.

Os versos 121 -123 do canto VII. O Inferno:

Presos na lama, eles dizem: vivíamos na escuridão

Apesar do ar doce e do sol, que alegrava o dia.

Nutrindo dentro de nós a fumaça da melancolia (acídia)”.

O fundamento do poema de Dante são as Escrituras. Dante vai mais fundo, mostrando que a Palavra de Deus nos ensina que nossos problemas mais profundos são em sua raiz espirituais. Dante desmascarou um inimigo antigo, uma doença da alma que o mundo moderno pensa ter “descoberto” com novos nomes, mas que os mestres espirituais do passado já haviam diagnosticado e combatido há 1.600 anos. Vamos falar sobre a Acídia — o demônio do meio-dia, o torpor da alma, a preguiça espiritual que drena nossa alegria e nos paralisa. Vamos entender como esse antigo inimigo nos ataca hoje com uma força devastadora.

I. A Sistematização Patrística da Acídia

Quando falamos sobre os desafios da alma, muitas vezes pensamos que nossos problemas são únicos, que a nossa geração é a primeira a sentir o peso do mundo de forma tão esmagadora. Mas o Dr. Thomas Keating, um monge cristão e mestre espiritual do nosso tempo, oferece-nos uma perspectiva transformadora. Ele olhou para os escritos dos Padres do Deserto — aqueles homens e mulheres que, 1.600 anos atrás, foram para o deserto para lutar suas batalhas espirituais — e fez uma conexão devastadora. Ele percebeu que o antigo inimigo que eles chamavam de “Acídia”, ou o “demônio do meio-dia”, é exatamente o que hoje diagnosticamos em consultórios e descrevemos em nossos livros de psicologia.

  1. O Diagnostico de João Cassiano (c. 360-435 d.C.). Ele foi um monge cristão piedoso que viveu entre o Oriente e o Ocidente. Também foi o grande sistematizador da tradição dos Padres do Deserto para a igreja latina. Em suas “Instituições Cenobíticas” (Livro X), Cassiano oferece a descrição mais completa da acídia na literatura patrística:

“A acídia é uma ansiedade ou angústia do coração, semelhante àquela que experimentam os que estão aflitos por alguma perda, ou cansados por uma longa enfermidade, ou debilitados pela falta de alegria nos jejuns prolongado ou pelo cansaço inexplicável numa vigília de oração. Ela gera no crente o horror ao lugar onde vive, fastio pelos irmãos que vivem com ele, desprezo pelos trabalhos simples e corriqueiros, considerando-os inúteis e estéreis. Ela o faz parecer preguiçoso e indolente para toda obra que deve fazer dentro dos limites de sua comunidade onde ele vive.[1]

  1. Análise Psicológica Contemporânea:

Dr. Thomas Keating (1923-2018), monge trapista e pioneiro da Centering Prayer, identificou em suas obras (“Intimacy with God”, 1994; “The Human Condition[2], 1999) paralelos devastadores entre a descrição de Cassiano da acídia e os sintomas contemporâneos do Burnout (esgotamento). Como disse o Dr. Keating: “A acídia é o burnout espiritual antes de existir o conceito de burnout. É a ansiedade generalizada aplicada especificamente à vida espiritual. Os Padres do Deserto estavam fazendo psicologia profunda 1.600 anos antes de Freud.”

Vamos descompactar isso, ponto por ponto, para entendermos como esse antigo mal se manifesta em nossos dias.

a) A Acídia como Burnout Espiritual (Esgotamento Ocupacional)

Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define o Burnout como um fenômeno ligado ao trabalho. Mas e se a nossa “ocupação” for a nossa própria fé? E se o “trabalho” for a nossa caminhada cristã? A acídia é o burnout da alma.

Exaustão Emocional Crônica: Isto não é apenas cansaço físico. É quando o ato de crer, de orar, de servir, começa a drenar você. Você acorda no domingo e a ideia de ir à igreja não traz alegria, mas um peso obrigacional. A oração parece bater no teto. Você está emocionalmente exaurido, não pelo mundo, mas pela própria jornada da fé. É um cansaço que o sono não cura.

Despersonalização (O Cinismo Espiritual): No burnout profissional, o médico vê o paciente como um número; o professor vê o aluno como um fardo. Na acídia, desenvolvemos um cinismo espiritual. Começamos a ver a comunhão como “apenas um ritual”. Vemos nossos irmãos e irmãs na fé com ceticismo, focando em suas falhas. A adoração se torna uma performance vazia. Nós nos distanciamos de Deus, tratando-O como um conceito, não como uma Pessoa. Estamos presentes de corpo, mas nossa alma está a quilômetros de distância.

Redução da Realização Pessoal: Aqui está o golpe final do burnout espiritual. Você olha para trás em sua jornada e pensa: “Eu não cresci nada. Eu não mudei. Para que todo esse esforço?” Você sente que sua vida espiritual é um fracasso. A alegria da salvação parece uma memória distante. Você não sente mais que está fazendo a diferença, e, pior, você não tem mais certeza se importa.

b) A Acídia como Ansiedade Generalizada (Ansiedade Espiritual) – DSM-5

O DSM-5[3] (manual de diagnóstico) fala de ansiedade e preocupação excessivas sobre vários eventos. Keating diz que a acídia é essa mesma ansiedade, mas focada inteiramente em Deus e na alma.

Ansiedade e Preocupação Excessivas: Na acídia, a mente é atormentada não por contas a pagar, mas por um medo espiritual difuso. “Será que Deus realmente me perdoou?”, “Será que estou salvo de verdade?”, “E se eu cometi o pecado imperdoável?”. É uma preocupação que corrói a paz. A promessa de “não andar ansioso” (Filipenses 4:6) parece uma piada cruel, porque a própria fé se tornou a fonte da sua ansiedade.

Dificuldade em Controlar a Preocupação / Inquietação: Os monges chamavam a acídia de “o demônio da inquietação”. É a incapacidade de ficar quieto na presença de Deus. Você tenta orar, e sua mente dispara para mil lugares. Você não consegue ler a Bíblia por mais de dois minutos sem sentir uma necessidade física de se levantar e fazer outra coisa. Você se sente constantemente “no limite”, espiritualmente agitado, incapaz de descansar no Senhor.

Fadiga Fácil e Dificuldade de Concentração: Isso é crucial. A acídia cansa. É exaustivo estar ansioso o tempo todo. Você se sente perpetuamente cansado, não porque trabalhou muito, mas porque sua alma não tem repouso. E sua concentração desaparece. A pregação se torna um ruído de fundo. Você tenta focar em Deus, mas uma névoa mental — o “torpor” da acídia —impede qualquer conexão real.

c) A Acídia como Anedonia (A Perda do Prazer Espiritual)

Esse é talvez o sintoma mais doloroso. Anedonia é a incapacidade de sentir prazer nas coisas que antes lhe davam alegria. Quando a acídia ataca, ela drena a cor do mundo espiritual.

Desinteresse por Atividades Previamente Prazerosas: A música de louvor que antes arrepiava sua pele? Agora é só barulho. A comunhão com os santos que antes aquecia seu coração? Agora é uma obrigação social. O estudo da Palavra que abria seus olhos? Agora é só texto em uma página. A acídia rouba o sabor da vida espiritual.

Sensação de Vazio Existencial: Isto é o coração da acídia. Não é raiva de Deus. Não é tristeza profunda (como no luto). É um nada existencial. É um vazio cinzento. É olhar para a cruz e sentir… indiferença. É um estado de apatia espiritual onde nem o céu parece atraente, nem o inferno parece ameaçador. É o perigoso estado de mornidão que as Escrituras condenam.

Apatia Emocional: Você se torna espiritualmente entorpecido. As bênçãos não trazem gratidão; as tragédias não trazem um clamor a Deus. Você simplesmente… existe.

Isso nos mostra que o burnout, ansiedade, vazio, não são falhas de caráter modernas. Elas são os nomes contemporâneos de um inimigo espiritual antigo e conhecido. Os Padres do Deserto[4] não estavam apenas sentados na areia. Eles estavam mapeando a alma humana. Eles estavam fazendo psicologia bíblica profunda. E a grande notícia é que, por eles terem mapeado essa batalha, eles também nos deixaram o mapa para a vitória.  Reconhecer a acídia não é para nos condenar, mas para nos libertar. É o primeiro passo para nos voltarmos contra ela. Não com nossa própria força (que já se foi), mas com a graça que é suficiente.

II. A Manifestação Contemporânea: O Torpor do Ordinário.

A acídia medieval tinha um sintoma muito específico: o cristão desprezava o trabalho ordinário – oração diária, tarefas manuais simples, vida comunitária regular – e passava a alimentar a fantasia sobre fazer algo grandioso em outro lugarEvágrio outro pai que mapeou essa doença descreveu assim: “O monge acidioso olha constantemente pelas janelas, imaginando visitantes que poderiam chegar. Ele fantasia sobre ir a uma outra comunidade onde a vida seria mais fácil, ou sobre tornar-se um grande pregador nas cidades.” Essa dinâmica é a chave – desprezo pelo ordinário combinado com fantasia do extraordinário. Essa é a essência da acídia contemporânea. E ela é alimentada por uma força que os monges do deserto jamais poderiam imaginar.

  1. A Tirania do Extraordinário na Cultura Digital.

Dra. Sherry Turkle[5], do MIT – em “Alone Together” (2011) e “Reclaiming Conversation” (2015) –, documenta o que chama de “cultura da performance constante”. Ela documenta uma mudança devastadora:

“Não vivemos mais nossas vidas – nós as curamos[6] como se fossem museus para uma audiência imaginária. Cada momento deve ser fotografável, compartilhável, ‘curtível’. O ordinário tornou-se insuportável porque não gera engajamento digital.”

A acídia não precisa mais de um deserto. Ela só precisa de uma tela. Ela se manifesta em formas muito específicas:

a) A Tirania da Foto Perfeita:

A incapacidade de desfrutar um momento sem documentá-lo. Estamos em um culto abençoado, mas em vez de adorar, estamos tentando capturar o ângulo perfeito da luz no palco. Estamos com nossos filhos, mas em vez de estarmos presentes, estamos “performando” a paternidade para a câmera.

A ansiedade de que experiências “não contam” se não forem postadas. Se você fez uma viagem, mas não postou o álbum, você realmente foi? Se você teve um momento devocional profundo, mas não tirou uma foto da sua Bíblia aberta com a xícara de café ao lado, ele realmente aconteceu? A experiência perde seu valor intrínseco e só ganha valor quando é validada pela audiência.

A depressão da comparação. Nós comparamos nossa vida ordinária—nossas cozinhas bagunçadas, nossos dias difíceis, nossas orações fracas—com os “destaques” perfeitamente editados dos outros; e isso está nos matando. A pesquisa da Dra. Jean Twenge[7] (“iGen”) é assustadora: adolescentes que passam cinco ou mais horas por dia em redes sociais têm 71% mais probabilidade de ter fatores de risco para suicídio. A “Foto Perfeita” é uma tirania porque ela nos rouba a presença. E a presença é o único lugar onde Deus pode ser encontrado.

b) O Frenesi do FOMO[8] (Fear of Missing Out- Medo de Ficar de fora): O FOMO é o nome moderno para a inquietação do monge de Evágrio.

É a incapacidade de estar presente porque se está obcecado com o que se está “perdendo”. Você está na igreja, mas está rolando o feed para ver quem está na praia. Você está em uma conferência, mas está preocupado com outra conferência que parece ser melhor.

Isso cria agendas hiperinfladas. Corremos de um evento para o outro, buscando o próximo “momento marcante”, a próxima experiência “imperdível”.

O resultado é uma exaustão paradoxal. Nossas vidas estão “cheias”, mas nossas almas estão vazias. Estamos cansados, não de fazer muito, mas de nunca estarmos satisfeitos onde estamos.

A pesquisa do Dr. Andrew Przybylski[9], de Oxford, provou o que já sabíamos: o FOMO está diretamente correlacionado com uma menor satisfação com a vida e um menor senso de autonomia. Teologicamente, o FOMO é uma profunda desconfiança da soberania de Deus. É a crença de que Deus está fazendo algo incrível em outro lugar, e que Ele errou ao nos colocar aqui.

c) O Vício da Experiência Máxima

Aqui, a psicologia moderna nos dá a explicação neurológica para a acídia. Por que o ordinário se tornou insuportável?

Fundamento Neurológico: Dra. Anna Lembke, da Stanford School of Medicine, em “Dopamine Nation” (Nação Dopamina) explica:

“Nossos cérebros foram criados para um mundo de escassez. Mas agora vivemos em um mundo de abundância de estímulos. Cada ‘like’, cada experiência extraordinária, libera dopamina. Mas o cérebro precisa se adaptar, aumentando seu limite. Logo, o que era extraordinário torna-se ordinário, e precisamos de estímulos cada vez mais intensos para sentir o mesmo prazer. É o mecanismo clássico da tolerância ao vício.”

Pense no seu cérebro como uma balança de prazer e dor. Quando você tem uma experiência prazerosa — um “like”, um vídeo engraçado, um elogio, uma comida saborosa — o cérebro libera dopamina, e a balança pende para o lado do prazer. Mas o cérebro exige equilíbrio. Imediatamente, ele compensa, e a balança pende um pouco para o lado da dor. O problema, diz a Dra. Lembke, é que fomos bombardeados com tantos “picos” de dopamina (redes sociais, pornografia, entretenimento sem fim) que o nosso “limiar” de prazer mudou.

Precisamos de estímulos cada vez mais intensos para sentir o mesmo prazer. O que era extraordinário (um culto poderoso) torna-se ordinário. Agora, precisamos de algo ainda mais intenso.

Isso é o mecanismo clássico da tolerância ao vício. E se aplica à nossa fé. Tornamo-nos viciados em “experiências máximas”. Não conseguimos mais apreciar a beleza simples de um hino antigo, a alegria quieta da leitura bíblica, a graça de uma oração silenciosa.

Buscamos “picos” emocionais — o maior congresso, o pregador mais famoso, o louvor mais arrebatador. Mas esses picos inevitavelmente deixam vales cada vez mais profundos. O ordinário da vida cristã se torna cinzento e sem sabor.

d) A Monumentalidade Obsessiva:

Esse é o resultado final. Quando estamos viciados no extraordinário, desenvolvemos um desprezo pelo ordinário. Chamamos isso de “Monumentalidade Obsessiva“.

É o desprezo por “pequenas” realizações. Desprezamos as disciplinas diárias. Orar por 10 minutos? Isso não vai mudar o mundo. Ser fiel no casamento? Isso não é “épico”. Servir silenciosamente na igreja? Isso não gera aplausos.

Isso leva à paralisia. Ficamos paralisados diante de tarefas comuns, pensando: “Se não for grandioso, não vale a pena fazer.”

E vivemos em uma fantasia crônica: “Quando eu finalmente tiver aquele ministério…”, “Quando eu finalmente escrever aquele livro…”, “Quando eu finalmente fizer algo grande para Deus…”.

Enquanto fantasiamos sobre o “monumental”, falhamos em fazer o “comum” que Deus colocou diante de nós. E isso nos leva diretamente a um dos exemplos mais claros de acídia em toda a Bíblia.

Paralelo Bíblico: 2 Reis 5:9-14:

Naamã, o general sírio, quase perdeu sua cura porque o profeta Eliseu o instruiu a fazer algo simples (banhar-se sete vezes no Jordão) ao invés de algo grandioso:

“Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu. Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada, e ficarás purificado. Porém Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Cuidei eu que ele certamente sairia a mim, poria-se em pé, invocaria o nome do SENHOR seu Deus, moveria a sua mão sobre o lugar da lepra, e restauraria o leproso.” (2 Reis 5:9-11)

Vejam a cena! Naamã é o retrato da “Monumentalidade Obsessiva“. Ele tinha um roteiro em sua mente para o extraordinário. Ele esperava um espetáculo! O profeta sairia, faria uma performance dramática, invocaria a Deus, moveria a mão! Em vez disso, o que ele recebe? Uma instrução comum, simples, quase humilhante. “Vá se lavar. Sete vezes. No rio sujo.”

A simplicidade da instrução o ofendeu. Isso é a acídia em ação. É o nosso orgulho que despreza os meios comuns da graça. “Eu pensei” que Deus me curaria com um arrepio na espinha, com uma visão dramática, com um evento monumental. E Deus diz: “Vá e lave-se no Jordão.” Vá e leia sua Bíblia quando estiver entediado. Vá e ore quando não sentir nada. Vá e sirva quando ninguém estiver olhando. Vá e seja fiel no seu casamento comum.

Graças a Deus, os servos de Naamã tinham mais sabedoria. Eles disseram: “Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias?” Ele estava disposto a fazer o “extraordinário”, mas desprezava o “ordinário”. A cura de Naamã não veio quando ele fantasiou sobre o milagre. A cura veio quando ele mergulhou sua carne doente na água barrenta e comum do Jordão, obedecendo a uma palavra simples.

CONCLUSÃO:

Irmãos, nós diagnosticamos a doença. Vimos a face interna da Acídia — o Burnout espiritual, a ansiedade da alma, o vazio que nos consome. E vimos sua face externa — a Tirania do Extraordinário, a obsessão pela foto perfeita, o vício em dopamina e a fantasia de uma vida “monumental”. E, como Naamã, terminamos diante de uma escolha. Naamã chegou à porta de Eliseu esperando um espetáculo. Ele queria fogo do céu, um ato grandioso, uma experiência “épica” digna de seus cavalos e carros. Em vez disso, Deus lhe ofereceu um rio sujo. Ele ofereceu o ordinário.

O mundo, em seu frenesi de Acídia, diz para curar o nosso vazio buscando algo ainda mais extraordinário. Uma viagem maior, uma experiência mais intensa, um “pico” de dopamina mais alto. Mas a cura de Deus é quase sempre encontrada no lugar que a Acídia nos ensinou a desprezar: o ordinário.

A cura de Naamã não estava na sua fantasia. Estava na obediência simples de mergulhar sete vezes no Jordão. A cura para nossa alma exausta não está em buscar o próximo grande evento. Está em redescobrir o poder sobrenatural escondido na obediência diária. Está em mergulhar no “Jordão” da oração silenciosa quando você não sente nada. Está em mergulhar na leitura da Palavra quando ela parece seca. Está em ser fiel no seu casamento comum, no seu trabalho comum, no seu serviço silencioso na casa de Deus.

O profeta Zacarias nos pergunta, da parte de Deus: “Pois quem despreza o dia dos humildes começos?” (Zacarias 4:10a). A Acídia despreza. Mas é ali, nos humildes começos e na constância diária, que Deus age. É por isso que o apóstolo Paulo nos dá o antídoto perfeito para o burnout espiritual, para a inquietação e para o sentimento de fracasso. Em 1 Coríntios 15:58, ele declara: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.”

Seu trabalho não é vão. Sua fidelidade silenciosa não é inútil. Sua perseverança no ordinário não passa despercebida por Deus. Não despreze o seu Jordão. Seja firme. Seja constante. Isso porque é na fidelidade do dia-a-dia, e não na fantasia do extraordinário, que encontramos a cura, a força e a verdadeira vida que fomos criados para viver nEle.

 [1] Citação livre e contextualizada, para um contexto protestante pentecostal.

[2] (“Intimidade com Deus”, 1994; “A Condição Humana.

[3] O DSM-5 é a sigla para a quinta edição do “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais” (em inglês, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). É um manual padrão, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA). É a principal ferramenta usada por profissionais de saúde mental (como psiquiatras, psicólogos e terapeutas) para diagnosticar transtornos mentais.  O manual fornece uma linguagem comum e critérios claros para a classificação de transtornos.

[4] Dr. Keating observa: “A acídia é o burnout espiritual antes de existir o conceito de burnout. É a ansiedade generalizada aplicada especificamente à vida espiritual. Os Padres do Deserto estavam fazendo psicologia profunda 1.600 anos antes de Freud.”

[5] Sherry Turkle é judia, socióloga, pesquisadora, autora e psicóloga clínica licenciada. Ela é Professora Abby Rockefeller Mauzé de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia no Programa de Ciência, Tecnologia e Sociedade do MIT e diretora fundadora da Iniciativa do MIT sobre Tecnologia e Self. Ela possui doutorado conjunto em sociologia e psicologia da personalidade pela Universidade Harvard.

[6] Curadoria dos museus. Responsáveis por expor as artes e criar a narrativas que atraem o público.

[7] Pesquisadora, professora e psicologa: Dr. Jean Twenge, da San Diego State University, em “iGen” (2017)

[8] FOMO, ou “medo de perder” éa ansiedade de que outros estejam tendo experiências mais gratificantes, muitas vezes alimentada pelas mídias sociais Esse sentimento pode ser causado pela visualização de versões idealizadas da vida de outras pessoas online e pode levar ao estresse e à inveja. Embora as mídias sociais sejam um gatilho comum, o FOMO (Medo de Ficar de Fora) é uma ansiedade mais ampla sobre perder eventos, informações ou experiências.

[9] [9] Pesquisa: Dr. Andrew Przybylski, da Oxford University, publicou (2013) no Computers in Human Behavior estudo demonstrando que FOMO correlaciona-se diretamente com: Menor satisfação com a vida / Menor senso de autonomia/ Maior uso problemático de redes sociais.

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