Série de sermões expositivos sobre O Céu. Sermão Nº 174 – O sexto dia da criação: a criação do homem (Parte 148). Gn 1:27: a Bíblia versus o Secularismo (Parte 101). Pregação do Pastor Jairo Carvalho em 24/09/2025.
PARTE 1
PARTE 2
INTRODUÇÃO:
Chegamos hoje a uma das passagens mais psicologicamente penetrantes de toda a Divina Comédia[1] – o momento em que Dante nos revela a existência dos acediosos, almas que borbulham nas profundezas da laguna Estige, incapazes sequer de articular completamente sua dor espiritual. Essa não é meramente uma curiosidade literária medieval. É um diagnóstico profético de uma das pandemias espirituais mais devastadoras de nossa época: a acídia. Trata-se daquela tristeza mortal que se sente diante do bem, daquela apatia espiritual que paralisa a alma na indiferença ao sagrado.
Dr. Jean-Claude Larchet, da Universidade de Sorbonne e especialista em patrística, define acídia como “tristitia de bono divino – uma tristeza a respeito de um bem divino”. Não é a tristeza normal que sentimos diante do mal ou da perda, mas uma perversão da emoção que nos faz resistir ao que deveria nos alegrar.
A Drª. Kathleen Norris explica que a acídia medieval se manifesta na modernidade através da depressão existencial, do ‘burnout’ espiritual, e do fenômeno que ela chama de “doomscrolling[2]” – que é o ato de consumir compulsivamente notícias negativas como forma de resistir à esperança[3]”.
A Drª. Norris em sua análise da acédia revela seu peso não apenas sobre os indivíduos, mas sobre sociedades inteiras — e que o “tédio inquieto, o escapismo frenético, a fobia de compromisso e o desespero enervante com os quais lutamos hoje são o antigo demônio da acedia em trajes modernos”.
I. O PÂNTANO SILENCIOSO DAS ALMAS PERDIDAS.
- A Ira Interiorizada: Os que Borbulham na Profundeza (vv. 117-126)
Sob a superfície, há outra classe de pecadores, os Acediosos (acédia), cujos “suspiros” fazem a água borbulhar. O hino que gorgolejam é a confissão de seu pecado: “Tristes fomos no ar doce que do sol se alegra… carregando dentro uma fumaça de acres assomos“. O pecado da acídia é a tristeza ressentida com o bem. O contrapasso é sublime: em vida, recusaram-se a respirar o “doce ar” da graça, sufocando-se em sua amargura. Na morte, estão eternamente submersos na lama que sua amargura criou.
Este pecado é o “doomscrolling”, o burnout espiritual. O retrato bíblico perfeito da acídia é o profeta Jonas. Após Deus poupar Nínive, Jonas fica extremamente zangado e diz, em Jonas 4:3: “Peço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver.” Ele se senta, amargurado e ressentido com a graça de Deus estendida a outros. Ele é a imagem da alma que se recusa a se alegrar com o bem.
- Os acediosos submersos.
Canto VII, Verso 118: “E também quero que tu por certo creias[4]“
Virgílio usa a fórmula solene “quero que por certo creias” para introduzir uma verdade que transcende a observação natural. Dante reserva esta linguagem de certeza para revelações que exigem “salto” cognitivo. Muitas vezes, as realidades espirituais mais profundas não são visíveis na superfície.
Crentes e líderes espirituais maduros desenvolvem discernimento para perceber o que está “submerso” nas vidas das pessoas – a dor silenciosa, o desespero inarticulado, a tristeza que não consegue ser expressa. Assim como Deus disse a Samuel “”O homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1 Samuel 16:7)
a) Asfixia emocional.
Verso 119: “que debaixo da água há gente que suspira” (“che sotto l’acqua è gente che sospira”).
A palavra-chave é “sospira” (suspira). Dr. Antonio Gagliardi, psiquiatra da Universidade Católica do Sagrado Coração (Roma), em sua pesquisa “Semiologia Psiquiátrica na Literatura Medieval” (2019), identifica o “suspiro” como sintoma clássico da depressão melancólica.
O Dr. Elissa Epel, da University of California, San Francisco, conduziu estudos (2018-2022) sobre padrões respiratórios em estados depressivos. Descobriu que respiração com “suspiros frequentes” correlaciona com:
Ativação crônica do sistema nervoso simpático
Desequilíbrio nos neurotransmissores serotonina e dopamina[5]
Sensação subjetiva de “asfixia emocional”
Esses achados sugerem que o simples ato de suspirar, muitas vezes ignorado ou considerado apenas um gesto de cansaço, pode ser um sinal importante de sofrimento emocional profundo. A observação clínica e os estudos neurocientíficos reforçam que tais manifestações físicas são alertas para estados internos que precisam de acolhimento e atenção. Dessa forma, o discernimento espiritual se torna também uma ferramenta de cuidado, permitindo que líderes e comunidades reconheçam sinais silenciosos de dor e ofereçam suporte genuíno aos que se encontram “submersos”.
b) Simbolismo Teológico da Submersão
“Sotto l’acqua” (debaixo da água) representa estado onde a alma não consegue “respirar” o “ar doce” da graça divina.
Prof. Dr. Charles Williams, da Oxford University, em “The Figure of Beatrice” (revisado 2020), interpreta a submersão como “incapacidade ontológica” de participar da alegria universal da criação. Quantas pessoas em nossas igrejas estão “submersas” – fisicamente presentes mas espiritualmente asfixiadas? Essa imagem de submersão não se limita a uma condição física, mas se expande para um contexto espiritual e existencial, em que o indivíduo experimenta uma sensação de isolamento e desconexão do sagrado.
O sentimento de estar “afundando” reflete não apenas o afastamento da graça, mas também a luta interna para emergir e reencontrar sentido em meio ao sofrimento, muitas vezes invisível aos olhos externos. O suspiro é frequentemente o único som que conseguem produzir quando tentam orar ou adorar.
c) Tentativas abortadas de comunicar sofrimento.
Verso 120: “e fazem borbulhar esta água ao topo” (“e fanno pullular quest’acqua al summo”)
Analisando o Fenômeno das “Bolhas”. “Pullular” significa “ferver”, “borbulhar”, “produzir bolhas”. A Drª. Teodolinda Barolini, da Columbia University, em seu comentário técnico, observa que as “bolhas” representam tentativas frustradas de comunicação.
Pesquisa Linguística da Yale University:
Dr. Maria Rosa Menocal, especialista em linguística medieval, documentou que “pullular” aparece em textos médicos do século XIV para descrever “efervescência patológica” – fermentação de humores corrompidos no corpo. Segundo essa pesquisa, expressões linguísticas de sofrimento muitas vezes não se manifestam de forma explícita, mas através de pequenas pistas, hesitações na fala, ou mudanças sutis no tom de voz. Essas “bolhas” verbais funcionam como sinais codificados de dor que dificilmente são compreendidos plenamente pelos ouvintes, destacando o desafio de acessar a realidade interior de quem sofre.
Interpretação Psicológica Contemporânea
O Dr. Kay Redfield Jamison, da Johns Hopkins School of Medicine, em “Night Falls Fast: Understanding Suicide” (revisado 2018), identifica as “bolhas” como metáfora para “tentativas abortadas” de comunicar sofrimento:
Posts de redes sociais crípticos que insinuam dor sem articulá-la
Suspiros e gemidos involuntários durante conversação
“Meio-sorrisos” que mascaram desespero profundo.
Esses sinais, embora sutis, revelam uma dimensão oculta do sofrimento humano que frequentemente escapa à percepção direta. Na literatura e na clínica, há consenso de que o sofrimento raramente se expressa de maneira clara. Ele se insinua por meio de gestos involuntários, escolhas lexicais hesitantes ou mesmo pelo silêncio que se prolonga. Assim, a análise das “bolhas” verbais e comportamentais torna-se fundamental para reconhecer a presença da dor psíquica e a necessidade de acolhimento cuidadoso.
O fundamento bíblico que descreve algo próximo disso é o sentimento de afundamento do Salmista: “Do profundo clamo a ti, SENHOR. Senhor, escuta a minha voz: estejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas” (Salmo 130:1-2)
- A CONFISSÃO GORGOLEJADA DOS ACEDIOSOS (Versos (121-124)
“Mergulhados no lodo, dizem: ‘Tristes fomos no ar doce que do sol se alegra, carregando dentro um fumo de acídia; agora nos entristecemos na lama negra”
- Tristeza cristalizada.
Dante mostra genialmente que a amargura ressentida, o ódio, a ira e a falta de perdão produzem um cenário melancólico e destrutivo.
Verso 121: “Presos na lama, diziam: ‘Tristes fomos’“
Podemos identificar o “limo” como lama formada pela mistura de terra e lágrimas – literalmente, o produto da tristeza que se cristalizou[6]. “Tristi fummo” – “Tristes fomos”. O pretérito perfeito indica estado habitual na vida terrena. Não eram ocasionalmente tristes, mas cronicamente melancólicos.
A Análise Clínica da Depressão Medieval vs. Contemporânea[7] traça paralelos entre acedia medieval e transtorno depressivo maior:
Semelhanças:
- Anedonia (incapacidade de sentir prazer)
- Apatia [8]pervasiva[9]
- Tristeza desproporcional às circunstâncias
- Isolamento social
Diferenças:
- Acedia sempre tem componente espiritual específico
- Foco na resistência ao bem divino, não apenas ausência de bem-estar
- Dimensão moral explícita (é pecado, não apenas doença)
- Resistencia à alegria.
Verso 122: “no ar doce que do sol se alegra“(“ne l’aere dolce che dal sol s’allegra”) Essa é uma das frases mais teologicamente carregadas do Inferno:
- “aere dolce” – “ar doce“: Representa a graça de Deus permeando a criação
- “dal sol” – “do sol“: Cristo como Sol da Justiça (Malaquias 4:2)
- “s’allegra” – “se alegra“: A criação participa da alegria divina
Prof. Dr. Peter Hawkins, da Yale Divinity School, observa: “Dante está descrevendo o estado natural da criação – alegria contagiante que emana da presença divina. Os acediosos são aqueles que, inexplicavelmente, resistem a esta alegria universal“.
Fundamento Bíblico:
“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite” (Salmo 19:1-2)
“Porque assim diz o SENHOR, que criou os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR e não há outro” (Isaías 45:18)
- Fumaça da poluição mental (Verso 123)
“carregando dentro uma fumaça de acres assomos”/ “portando dentro accidioso fummo”
Análise Semântica:
- “portando dentro” – carregando internamente (não é influência externa)
- “accidioso” – derivado de acedia (preguiça espiritual)
- “fummo” – fumaça, névoa, vapor tóxico, melancolia
Podemos interpretar “accidioso fummo” como “poluição interior” – um “smog (nevoeiro) espiritual” que impede a alma de “respirar” a alegria divina[10].
Podemos identificar padrões cognitivos que funcionam como “fumaça mental[11]“:
- Catastrofização – ver desastres onde há desafios
- Filtragem negativa – focar exclusivamente no que está errado
- Personalização – assumir responsabilidade por eventos fora do controle
- Pensamento dicotômico – ver tudo em extremos
A “fumaça mental da acédia moderna pode incluir:
- Cinismo sobre motivos de outras pessoas
- Sarcasmo como defesa contra vulnerabilidade
- Consumo compulsivo de mídia negativa
- Resistência a experiências de alegria ou gratidão
- A paródia da beleza pervertida
Verso 124: “agora, na negra lama, nos entristecemos[12]“
O contrapasso é perfeito: em vida, carregavam internamente a “fumaça” da tristeza amargurada; na morte, estão externamente submersos na “lama negra” que sua tristeza criou. “belletta negra” – “lama negra“:,observa que “belletta” é diminutivo de “bellezza” (beleza)[13] – uma “beleza pervertida”, uma paródia[14] da criação original.
Fundamento Bíblico:
“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gênesis 1:31)
Mas o pecado corrompe até mesmo nossa percepção da beleza:
“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20)
III. ANÁLISE TEOLÓGICA SISTEMÁTICA: A DOUTRINA DA ACÍDIA
- Fundamentos Patrísticos: Os Padres do Deserto
Evágrio Pôntico (345-399 d.C.): O Pioneiro da Análise da Acídia
Evágrio, em suas “Oito Tentações”, descreve acedia como o “demônio do meio-dia” – a tentação que assalta os monges no auge do calor e do trabalho diário:
“O demônio da acedia, também chamado demônio do meio-dia, é o mais opressivo de todos os demônios. Ele ataca o monge por volta da quarta hora e sitia a alma até a oitava hora. Primeiro, faz com que pareça que o sol se move lentamente, ou que não se move de modo algum, e que o dia tem cinquenta horas. Depois, força-o a olhar constantemente para as janelas e a saltar de seu quarto para verificar o sol“.
Aplicação Contemporânea: Quantos cristãos hoje experimentam o “demônio do meio-dia” espiritual – aquela sensação de que o tempo não passa durante oração, culto ou leitura bíblica? Aquela compulsão de “verificar o relógio” durante momentos de disciplina espiritual?
João Cassiano (c. 360-435 d.C.): A Sistematização
Cassiano, em suas “Instituições Cenobíticas (monasticismo)”, define acedia como:
“Uma ansiedade ou angústia de coração, semelhante àquela que experimentam os que estão aflitos por alguma perda, ou cansados por uma longa enfermidade, ou debilitados pelo jejum prolongado ou pela vigília. Ela gera no crente o horror ao lugar/comunidade onde vive, fastio pelos irmãos que vivem com ele, desprezo pelos trabalhos simples e corriqueiros, considerando-o inútil e estéril“.
Dr. Thomas Keating, monge e psicólogo espiritual, identifica paralelos entre a descrição de Cassiano e sintomas contemporâneos de burnout e transtorno de ansiedade generalizada. Esse estado espiritual resulta na tendência contemporânea de buscar o excepcional, o grandioso, o notável, o incomum, a imagem idealizada, os momentos destacados e experiências intensas.
B. São Tomás de Aquino: A Definição Clássica
Summa Theologica II-II, q.35: Acedia como “Tristitia de Bono Divino” (tristeza do bem divino”. Tomás oferece a definição mais precisa da acedia[15]: “A acedia é uma certa tristeza pela qual o homem se torna lento para os atos espirituais por causa do labor corporal”.
Mas mais especificamente – “Tristitia de bono divino” (Tristeza a respeito de um bem divino): “Não é tristeza pela ausência do bem, mas tristeza pela presença do bem. É a perversão mais fundamental da emoção humana – resistir àquilo que deveria nos alegrar“.
As Oito “Filhas” da Acídia
Tomás identifica oito pecados que nascem da acedia:
- Malitia – Malícia
- Rancor – Rancor
- Pusillanimitas – Pusilanimidade[16] (falta de coragem)
- Desperatio – Desespero
- Torpor circa praecepta – Torpor[17] em relação aos mandamentos
- Evagatio mentis – Divagação da mente
- Verbositas – Verbosidade (falar em excesso)
- Curiositas – Curiosidade (busca desordenada por novidades)
Reconhecemos aqui o perfil de muitos cristãos modernos que desenvolveram acedia:
- Malícia e rancor contra líderes e irmãos
- Pusilanimidade – evitar desafios espirituais
- Desespero sobre progresso espiritual
- Torpor[18] – negligência com disciplinas básicas
- Divagação mental – incapacidade de concentração na oração
- Verbosidade – falar demais para evitar silêncio contemplativo
- Curiosidade desordenada – buscar constantemente novidades espirituais
C. A Acedia na Teologia Contemporânea: Acédia e Seus Descontentes.
Dr. R.J. Snell, da Eastern University, em sua obra “Acedia and Its Discontents[19]: Metaphysical Boredom in an Empire of Desire” (2019), argumenta que acídia é a patologia espiritual definitiva da modernidade tardia:
“A acídia moderna não é apenas tédio ou preguiça, mas uma recusa fundamental de participar na ordem da criação. É o pecado de uma cultura que perdeu o senso do transcendente e se refugia no imanente como forma de escapar das demandas do absoluto”.
A pessoa preguiçosa não “quer ser como Deus quer que ela seja, e isso significa, em última análise, que ela não deseja ser o que realmente, fundamentalmente, é”. A preguiça é um desespero infernal.
A Drª. Kathleen Norris – em “Acedia & Me” –, combinando experiência pessoal com pesquisa acadêmica, identifica manifestações contemporâneas:
- “Spiritual Channel-Surfing[20]” – trocar constantemente de práticas espirituais para evitar profundidade.
- “Doomscrolling[21]” – consumo compulsivo de notícias negativas como resistência à esperança
- “Busy-ness as Avoidance[22]” (ocupação como evasão) – hiperatividade como fuga da quietude necessária para encontro com Deus
CONCLUSÃO:
A neurociência moderna está começando a desenhar o mapa neural daquilo que os teólogos medievais e os padres do deserto chamavam de acídia. Ela nos mostra um cérebro não necessariamente em dor aguda, mas perigosamente “desligado” de si mesmo, do mundo e, em última instância, de Deus. E a solução, tanto a nível clínico quanto espiritual, não é apenas pensar diferente, mas engajar-se em práticas que religam a alma ao corpo, os sentidos à graça, e o coração à adoração.
O Espirito Santo mostrou isso perfeitamente em 1 Tessalonicenses 5:11-26
¹¹ Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.
¹² E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
¹³ E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós.
¹⁴ Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.
¹⁵ Vede que ninguém dê a outros mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos.
¹⁶ Regozijai-vos sempre.
¹⁷ Orai sem cessar.
¹⁸ Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
¹⁹ Não extingais o Espírito.
²⁰ Não desprezeis as profecias.
²¹ Examinai tudo. Retende o bem.
²² Abstende-vos de toda a aparência do mal.
²³ E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
²⁴ Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.
²⁵ Irmãos, orai por nós.
²⁶ Saudai a todos os irmãos com ósculo santo.
[1] Texto Base: Dante Alighieri, Inferno, Canto VII, vv. 117-126 e Canto VIII, vv. 1-130
[2] Doomscrolling é o ato de passar uma quantidade excessiva de tempo a ler ou a ver conteúdo negativo online, especialmente em redes sociais e portais de notícias.
O termo, que significa “rolagem da perdição” ou “rolagem do juízo final”, ganhou destaque por volta de 2020, em parte devido à pandemia de COVID-19, e é prejudicial à saúde mental. A tendência é influenciada pelo design das plataformas digitais, pelos algoritmos que priorizam o conteúdo negativo e por um instinto humano de se manter vigilante a ameaças.
[3] Drª. Kathleen Norris, em sua obra seminal “Acedia & Me: A Marriage, Monks, and a Writer’s Life”, documentou. em sua sua análise da acedia revela seu peso não apenas sobre os indivíduos, mas sobre sociedades inteiras — e que o “tédio inquieto, o escapismo frenético, a fobia de compromisso e o desespero enervante com os quais lutamos hoje são o antigo demônio da acedia em trajes modernos”.
[4] “E anche vo’ che tu per certo credi”
[5] Serotonina e dopamina são neurotransmissores cruciais para o bem-estar, com a serotonina associada à felicidade, regulação do humor, sono e apetite, e a dopamina relacionada ao sistema de recompensa, motivação e movimento. Ambas são essenciais para a comunicação neural e o equilíbrio emocional, mas desempenham papéis distintos: a serotonina foca no contentamento de longo prazo e a dopamina nos sentimentos de prazer e recompensa de curto prazo.
[6] “Fitti nel limo” – “Presos na lama”. Prof. Dr. John Freccero, da Stanford University, em “Dante: The Poetics of Conversion
[7] Dr. Stanley W. Jackson, da Yale Medical School, em “Melancholia and Depression: From Hippocratic Times to Modern Times” (2019),
[8] Algo pervasivo é aquilo que se espalha, infiltra ou se dissemina por todas as partes, sendo abrangente e penetrante
[9] A apatia pervasiva é a perda generalizada e duradoura de interesse, motivação e envolvimento emocional, caracterizada por indiferença, desânimo constante e baixa iniciativa para atividades diárias e objetivos pessoais, que vai além do simples cansaço e pode estar ligada a condições de saúde mental como depressão ou doenças neurológicas.
[10] Dr. Giuseppe Mazzotta, da Yale University, em “Dante’s Vision and the Circle of Knowledge”,
[11] Dr. Albert Ellis, fundador da Rational Emotive Behavior Therapy
[12] (“or ci attristiam ne la belletta negra”)
[13] Prof. Dr. Robert Hollander, da Princeton University
[14] Uma paródia é uma imitação ou releitura cômica e satírica de uma obra já existente.
[15] “Acedia est quaedam tristitia, qua homo redditur tardus ad spirituales actus propter corporalem laborem”
[16] Pusilanimidade é a qualidade de ser pusilânime, ou seja, a falta de coragem, a timidez excessiva, a fraqueza de ânimo ou a incapacidade de tomar decisões, sendo sinónimo de covardia ou medo. A origem da palavra remete ao latim pusillanimitas, que combina “pequeno alma
[17] Falta de ação e energia: Pode descrever uma pessoa que está apática, inativa ou com falta de vigor físico e mental. Indiferença: Pode também se referir a um estado de indiferença moral ou espiritual, uma espécie de letargia mental. Semelhante à letargia: Em contextos médicos ou psicológicos, pode descrever um estado de sonolência, pouca reação a estímulos ou consciência reduzida do que acontece ao redor.
[18] Torpor é um estado de sonolência, apatia e falta de atividade fisiológica ou mental.
[19] Embora o termo acédia possa ser desconhecido, o vício, geralmente traduzido como preguiça, é bastante comum. Preguiça não é mera preguiça, mas sim um desgosto pela realidade, uma aversão ao nosso chamado para sermos amigos de Deus e um ódio rancoroso ao lugar e à própria vida.
Como descrito por Josef Pieper, a pessoa preguiçosa não “quer ser como Deus quer que ela seja, e isso significa, em última análise, que ela não deseja ser o que realmente, fundamentalmente, é”. A preguiça é um desespero infernal.
Nossa própria cultura está profundamente infectada, optando por uma liberdade destrutiva em vez da boa obra para a qual Deus nos criou. “Acédia e Seus Descontentes” resiste ao desespero, convocando-nos a reconfigurar nossa imaginação e práticas em profundo amor pela vida e obra dadas por Deus. Ao festejar, guardar o sábado e trabalhar bem, aprendemos a ver o mundo como encantador, belo e bom — exatamente como Deus o vê.
No árido deserto que é a escrita acadêmica, em meio ao deserto mais amplo que é o pensamento secular moderno, o livro de RJ Snell sobre a acédia é um oásis de flores, frutas e água fresca. O Professor Snell nos lembra que o homem jamais deve ser subordinado ao trabalho, nem mesmo às “férias” vazias que nada mais são do que interrupções no trab
alho. Ele diagnostica a doença que assola nossa época — o torpor espiritual — e prescreve como remédio a alegre celebração do Shabat. Um livro estupendo, repleto da felicidade do deslumbramento.
Ele expõe uma atitude fundamental profundamente oculta e destrutiva que permeia nossa cultura, uma atitude que vem não apenas da carne (preguiça) ou do mundo (cansaço do mundo, cinismo), mas do Diabo: aversão e rebelião contra o próprio Ser, tanto natural quanto sobrenatural. Este é o ‘diabo do meio-dia’ que grandes santos rotularam de ‘preguiça’.
[20] Navegação nos canais espirituais”
[21] Doomscrolling é o ato de rolar compulsivamente por notícias e conteúdo negativo online, como nas redes sociais ou portais de notícias, impulsionado por uma mistura de viés de negatividade, FOMO (medo de perder algo) e a própria arquitetura de plataformas digitais que incentivam o engajamento contínuo.
[22] Ocupação como evasão
