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#OCÉU168: A Bíblia versus o Secularismo – PARTE 95

Série de sermões expositivos sobre O Céu. Sermão Nº 168  –  O sexto dia da criação: a criação do homem (Parte 142).  Gn 1:27: a Bíblia versus o Secularismo (Parte 95). Pregação do Pastor Jairo Carvalho em 13/08/2025.

INTRODUÇÃO:

Continuamos nossa meditação mais profunda sobre o Quarto Círculo do Inferno de Dante, aprendendo sobre a anatomia da idolatria e a metafísica da autoconfiança nas riquezas.

Estamos no desafio monumental de tentar sintetizar a totalidade de nossas meditações sobre o coração pulsante do Canto VII do Inferno de Dante, em seu romance “A Divina Comédia”. Veremos como a graça divina capacitou a genialidade de um poeta do século XIV, que pode diagnosticar a alma do século XXI com precisão cirúrgica. Que o Espírito Santo da Verdade nos guie nesta profunda, impactante e integral exploração da desordem do desejo e da sublime ordem da Providência.

  1. A PATOLOGIA DO DESEJO DESORDENADO (v.1-15)

Aqui, veremos o Silêncio de Pluto, a Soberba Deflacionada e a Restauração do Logos (A Palavra de Deus). Neste primeiro segmento, testemunhamos o confronto entre a Razão Divina e a voz caótica da ganância, entrando em um verdadeiro campo de batalha estéril. Ao adentrarmos este círculo, após o grito gutural[1] e impotente de Pluto, o deus pagão da riqueza (“Pape Satàn, pape Satàn aleppe!”), a primeira palavra que ecoa é a da autoridade divina: “(Cala-te, maldito lobo! / Consome-te por dentro com a tua própria raiva[2].)”. Virgílio, representando a Razão iluminada pela Fé, não debate com o mal. Ele o silencia. Chama a ganância por seu nome, “lobo”, a imagem bíblica da rapina[3].

O pecado, ensina a grande tradição escolástica de Santo Tomás de Aquino, não é uma substância, mas uma privatio boni – uma privação ou desordem de um bem. O desejo por segurança é bom, mas sua absolutização o torna uma patologia.

 A fala de Pluto é a expressão sonora dessa patologia – a  própria Razão, desfeita em balbucio demoníaco, uma espécie de anti-oração da Oração do Pai Nosso, feito pelo Senhor Jesus. A sentença de Virgílio é magnífica: o mal é, em última instância, autodestrutivo. A raiva da ganância implode e consome o próprio pecador.

Virgílio continua v. 22-24. “Não é sem causa nossa ida ao abismo: / assim se quer no alto, onde Miguel / vingou a soberba rebelião[4]. Virgílio revela a fonte de sua autoridade. A jornada é sancionada pelo Céu. Ele invoca a autoridade do Logos Divino, a mesma que, na figura do Arcanjo Miguel, subjugou a rebelião original pai da ganância – Lúcifer.

A ganância de Pluto é apenas um eco insignificante daquela primeira rebelião, e ambas já estão derrotadas pela Vontade divina. Então ele mostra a soberba deflacionada: v. 11-13: “(Como as velas enfunadas[5] pelo vento / caem emaranhadas, quando o mastro se quebra, / assim caiu por terra a fera cruel[6].)” Dante nos dá uma de suas mais perfeitas símiles. A soberba da riqueza é uma vela enfunada, cheia de ar, de aparência imponente, mas vazia. A Palavra da Verdade (“vuolsi ne l’alto”) é o golpe que quebra o mastro. E toda aquela imponência desaba sobre si mesma, num emaranhado inútil e flácido. Assim é o poder material diante do poder espiritual. A queda de Pluto não é uma batalha, mas a consequência inevitável da Verdade confrontando o vazio da confiança nas riquezas.

Essa cena antiga se manifesta dolorosamente em nosso mundo: Pensemos num “guru” financeiro ou numa grande empresa. Sua soberba é uma “vela enfunada”. De repente, uma investigação jornalística ou um denunciante trazem a verdade à luz.  É o “Cala-te” de Virgílio. O império de aparências desmorona, revelando-se um “emaranhado” de corrupção, dívidas e mentiras. E tudo cai por terra. Essa é a alma da Bolsa de Valores: Considere as empresas e pessoas cuja identidade está atrelada à flutuação do mercado.  Ela se infla com a alta, mas sua paz é uma farsa. Quando o mercado vira, sua identidade implode. O monólogo interior não é de razão, mas o balbucio ansioso de Pluto: “e se cair mais? e se eu perder tudo?”.

Precedentes bíblicos. A cena de Dante está profundamente enraizada na narrativa bíblica:

Elias no Monte Carmelo (1 Reis 18): Os 450 profetas de Baal gritam e se cortam – o ruído de Pluto. Elias, com uma oração simples e centrada em Deus, invoca a verdadeira autoridade, e o fogo desce do céu, silenciando a histeria da falsidade.

A Torre de Babel (Gênesis 11): A primeira tentativa da humanidade de construir um céu sem Deus, em sua soberba, declara: “Façamos para nós um nome”, um projeto materialista. A resposta de Deus é a confusão da linguagem. A soberba leva à desintegração.

O Rico Insensato (Lucas 12): Suas velas estão enfunadas de orgulho. A palavra de Deus quebra o mastro: “Insensato! Esta noite te pedirão a tua alma”. Sua riqueza torna-se um emaranhado inútil.

Davi e Golias (1 Samuel 17): Golias é o Pluto da história. Davi se aproxima em nome do “Senhor dos Exércitos”, invocando uma autoridade superior, e o gigante cai.

  1. O grande saco de descarte do universo.
  2. 16-18: Descemos à quarta “lacca” (cova), notando com dor a “maladetta” (maldita) multidão que ela “insacca” (ensaca).

“Para a quarta caverna, então descemos.

Conquistando novos trechos da costa dolorosa.

Onde toda vilania do mundo é lançada” (ensacada).

A imagem do saco é poderosa: o Inferno é um receptáculo onde o mal do universo é acumulado sem distinção, como lixo. Essa é uma das imagens mais sutis e, ao mesmo tempo, mais devastadoras de todo o Inferno. A escolha do verbo “insacca” (ensaca) por Dante é de uma precisão teológica e poética assombrosa.

  1. a) A Desumanização Absoluta

A primeira e mais chocante implicação da imagem é a redução das almas a meros objetos. Pense no que colocamos em um saco: grãos, batatas, moedas, lixo. Nós não “ensacamos” pessoas. O verbo em si despoja o sujeito de sua dignidade, de sua personalidade, de sua humanidade.  Ao usar “insacca”, Dante não está apenas dizendo que as almas estão “contidas” no círculo. Ele está afirmando que elas se tornaram coisas.

Este é o contrapasso em sua forma mais profunda. Em vida, eles amaram os bens materiais mais do que a Deus e ao próximo. Idolatraram o ouro, as posses, o dinheiro – objetos inertes. Eles dedicaram sua identidade e sua força vital a coisas.

Portanto, na morte, a justiça divina simplesmente confirma a escolha que eles fizeram.  A alma deles perdeu sua forma humana, sua face, sua identidade (como Virgílio dirá mais tarde, eles são irreconhecíveis) e se tornou o que eles amavam: um objeto a ser amontoado, pesado, sem distinção. Eles são o “peso morto” que empurram, e são eles próprios o conteúdo inerte de um saco pedra.

  1. b) A Aniquilação da Individualidade

Um saco não contém indivíduos distintos. Ele contém uma massa indistinta. Quando você olha para um saco de café, você não vê cada grão individualmente. Você vê “café”. A identidade do grão individual se dissolve na identidade da massa. O que Dante quer dizer com isso: O pecado da avareza e da prodigalidade, ao focar no quantitativo e no material, apaga a qualidade única da pessoa. Em vida, o avarento se via apenas como o seu patrimônio, um número. O pródigo se via apenas através do espetáculo de seus gastos. Eles já haviam renunciado à sua individualidade em favor de uma identidade material e anônima. No Inferno, isso se torna literal. A palavra “insacca” nos prepara para a cena que virá: uma multidão tão vasta e indistinta que Dante não consegue reconhecer um único rosto. Eles não são mais “Fulano” ou “Sicrano”. São apenas “os avarentos”, “os pródigos” – uma categoria, um monte, um conteúdo amorfo dentro do saco do quarto círculo.

  1. c) O Inferno como o Depósito do Mal.

A imagem vai além. O que a justiça faz com o que não serve mais, com o que é podre, com o lixo? Ela o separa, o isola e o descarta para que não contamine o que é bom. O que Dante quer dizer com isso: O Inferno, na cosmologia de Dante, é o grande “saco de lixo” do universo moral de Deus. É o lugar onde todo o mal, todo o pecado, toda a negação do Bem é contida e isolada para que não possa mais corromper a criação.  O mal não é aniquilado (pois as almas são imortais), mas é tornado impotente, confinado.

A palavra “insacca”, portanto, descreve a própria função de todo o Inferno: É um ato de contenção: O mal é “ensacado” para não se espalhar. É um ato de ordem: A justiça divina está “organizando” o universo, separando o trigo do joio, o tesouro do lixo. Cada círculo é como uma seção etiquetada dentro deste grande depósito de almas descartadas. É um ato de juízo final: O que está no saco de lixo perdeu seu valor e seu propósito original. As almas “ensacadas” são aquelas que rejeitaram seu propósito divino e, portanto, se tornaram o refugo da criação.

A imagem do saco, iniciada pelo verbo “insacca”, é uma metáfora poderosa que nos diz que a consequência final da idolatria material não é apenas um castigo, mas uma transformação ontológica. A pessoa que viveu como se fosse uma coisa, tratando a si e aos outros em função de bens materiais, torna-se, na eternidade, precisamente isso: uma coisa sem rosto e sem valor, amontoada com outras no grande saco de descarte do universo.  Nas Escrituras, a imagem do inferno é comparada ao local onde os judeus jogavam os seus lixos; GEENA[7]. Uma espécie de aterro sanitário, para queimar todo o lixo de Israel. Esse lixão é símbolo do Juízo Final. (Marcos 9:47-48).

  1. A ONTOLOGIA[8] DA FUTILIDADE (v. 22,23)

Aqui veremos uma grande massa (multidão) anônima, como a Identidade dessas pessoas são apagadas e a vaidade do esforço por causa das riquezas. Descemos à quarta “lacca” (cova), a cova da humanidade comum, onde o pecado mais universal revela sua consequência mais terrível: o apagamento do ser. Dante descreve uma multidão maior do que em qualquer outro lugar, dividida em duas facções: de um lado, os avarentos; do outro, os pródigos.  Seu castigo, o contrapasso, é rolar enormes pesos com a força do peito. Quando se encontram, trocam acusações amargas:

Perché tieni?” (Por que guardas?) falam os pródigos.

 “Perché burli?” (Por que esbanjas?) falam os avarentos.

Este conflito é a imagem da esterilidade, comparado as ondas de Caribdis[9], v.22,23, Canto VII:

Como em Caribdis, multidões se moviam em ondas

E uma quebrando sobre a outra, se encontravam

Essa é uma das imagens mais poderosas e precisas de todo o Inferno, e a sua análise revela a genialidade de Dante em múltiplos níveis. Quando Dante compara o movimento dos avarentos e pródigos com as ondas sobre Caribdis, ele quer transmitir várias ideias interligadas, que formam uma teologia completa sobre a natureza deste pecado.

  1. Futilidade e Esforço Estéril

Este é o significado mais imediato e central. Na mitologia, Caribdis era um monstro marinho que criava um redemoinho gigantesco, sugando e expelindo as águas do mar.  As ondas geradas por este caos chocam-se umas contra as outras de forma incessante, violenta e, acima de tudo, improdutiva. Uma onda anula a outra. O que Dante quer dizer: O esforço em vida dos avarentos (que retiveram tudo) e dos pródigos (que desperdiçaram tudo) foi completamente estéril.

O avarento acumulou uma fortuna que não usou para o bem. Não desfrutou. Não fez circular. Seu esforço foi inútil. O pródigo dissipou uma fortuna sem propósito, sem construir nada de valor, sem gerar benefício duradouro. Seu esforço também foi inútil. Assim como as ondas que se chocam e se desfazem sem criar nada, a energia vital que eles dedicaram aos bens materiais foi gasta em pura futilidade. O castigo deles, portanto, é a eternização dessa mesma esterilidade. Eles se esforçam imensamente para rolar os pesos, apenas para que seu esforço seja anulado no choque com o grupo oposto.

  1. Oposição Violenta e Cega

As ondas não se encontram gentilmente. Elas “se quebram” (si frange) uma na outra. Isso simboliza a oposição violenta entre os dois extremos do mesmo pecado. Avareza e prodigalidade são duas faces da mesma moeda: uma relação desordenada com os bens materiais. Em vida, estas duas mentalidades estão em conflito direto. O avarento despreza o pródigo, e o pródigo zomba do avarento.  No Inferno, essa oposição torna-se um confronto físico e verbal eterno (“Por que guardas?”, “Por que esbanjas?”). Eles estão eternamente focados no erro do outro, sem nunca reconhecerem que a raiz do seu próprio pecado é a mesma: a idolatria da riqueza.

  1. Repetição Mecânica e Inescapável

Um redemoinho como o de Caribdis é a imagem perfeita de um ciclo sem fim, uma força da natureza da qual não se pode escapar. As ondas sobem e descem, chocam-se e recuam, num ritmo perpétuo e mecânico. O pecado deles não foi um ato isolado, mas um hábito vicioso, um ciclo repetitivo em que estavam presos em vida. O avarento estava preso no ciclo de acumular; o pródigo, no ciclo de gastar. A punição deles é a “triste justa” (trista giostra), uma dança macabra, mecânica e sem fim, que reflete perfeitamente a prisão psicológica em que viviam na Terra. Eles não têm liberdade, apenas a compulsão de repetir o mesmo movimento para sempre.

  1. Uma Consequência Natural do Pecado

Ao usar uma imagem da natureza (as ondas), Dante sugere que o castigo não é uma punição arbitrária imposta de fora por Deus. Pelo contrário, é a consequência natural e inevitável do próprio pecado. É da natureza de uma vida desordenada em relação aos bens materiais levar a um conflito estéril e a uma existência sem propósito. O Inferno apenas vai revelar e eternizar a verdadeira natureza da alma do pecador. Em resumo, com a simples e genial imagem das ondas de Caribdis, Dante nos diz que uma vida dedicada à idolatria dos bens – seja guardando-os ou esbanjando-os – é, em sua essência, uma existência de esforço violento, inútil, repetitivo e, em última análise, autodestrutivo.

III. OS PALHAÇOS DA PRÓPRIA TRAGÉDIA.

  1. 24 “Assim os espíritos dançavam como uma tragicômica dança”. A expressão “dança tragicômica” é perfeita e revela a profunda ironia da situação. Vamos analisar os dois componentes dessa expressão para entender o que Dante quis dizer:
  2. O Elemento “Cômico” (A Farsa, a Ironia, o Ridículo)

A palavra “cômico” aqui não se refere a algo que nos faz rir, mas sim ao ridículo e à absurdidade da situação. Há vários elementos que tornam a cena uma farsa grotesca:

A Repetição Mecânica: Como em uma comédia de erros, os pecadores estão presos em um loop infinito. Eles rolam os pesos, chocam-se, insultam-se, dão meia-volta e fazem tudo de novo. É um movimento sem sentido, como o de marionetes ou palhaços desajeitados, desprovido de qualquer dignidade ou propósito. É a mecanização da alma.

A Cegueira Mútua: É profundamente irônico que os avarentos acusem os pródigos (“Por que esbanjas?”) e os pródigos acusem os avarentos (“Por que guardas?”). Cada grupo vê o cisco no olho do outro, mas não a trave no seu próprio. Eles não percebem que são espelhos um do outro, ambos culpados do mesmo pecado fundamental: a idolatria dos bens materiais. Essa falta de autoconsciência é um elemento clássico da comédia.

O Esforço Inútil: A imagem de um esforço colossal que não leva a lugar nenhum é inerentemente ridícula. Eles usam toda a força do peito, suam e se esforçam ao máximo, apenas para que todo esse trabalho seja instantaneamente anulado no choque.  Virgílio mesmo chama a vida deles, e por extensão este castigo, de uma “curta farsa” (corta buffa).

  1. O Elemento “Trágico” (A Dor, a Perda, a Eternidade)

Por trás da fachada ridícula, a situação é de uma tragédia absoluta e sem fim.

A Perda da Identidade: Como vimos, o maior elemento trágico é que eles perderam a si mesmos. Eles se tornaram irreconhecíveis, “escuros” (bruni). A alma, criada à imagem de Deus para a Sua glória, foi reduzida a um autômato cego e furioso. Não há tragédia maior do que a perda da própria essência.

A Ausência de Redenção: A dança é eterna. Não há esperança de aprendizado, de perdão ou de mudança.  A “comédia” se torna uma tragédia porque o loop nunca para. A repetição que seria cômica em um pequeno ato se torna a definição de horror quando projetada na eternidade.

A Consciência da Dor: Embora sejam mecanizados, eles ainda sentem a dor do esforço e a raiva da acusação. Eles estão plenamente conscientes de seu sofrimento, mas são incapazes de escapar de seu padrão de comportamento. Eles são prisioneiros de si mesmos, e essa é a essência da tragédia do pecado.

Ao criar essa “dança tragicômica”, Dante está fazendo uma afirmação profunda sobre a natureza do pecado. Ele está dizendo que todo pecado, visto da perspectiva divina, é ao mesmo tempo trágico e ridículo. É trágico porque representa a falha de uma criatura gloriosa em atingir seu propósito divino, resultando em sofrimento e separação de Deus. É ridículo porque é uma escolha absurda: trocar o bem infinito (Deus) por um bem finito e passageiro (dinheiro, poder, prazer). É uma aposta estúpida, uma farsa, uma troca sem sentido que, de uma perspectiva celestial, só pode parecer patética e grotesca.

Portanto, a “dança” dos avarentos e pródigos é tragicômica porque ela é a perfeita representação visual desta verdade: um espetáculo de almas que perderam tudo o que importava (a tragédia) por se apegarem a algo absurdo e fútil (a comédia). Eles são os palhaços de sua própria tragédia eterna.

CONCLUSÃO:

Jesus avisou os seus discípulos do perigo de confiarmos na incerteza das riquezas. Lucas 12:13-34

¹³ E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

¹⁴ Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?

¹⁵ E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.

¹⁶ E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;

¹⁷ E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.

¹⁸ E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;

¹⁹ E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.

²⁰ Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

²¹ Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.

²² E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis.

²³ Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.

²⁴ Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves?

²⁵ E qual de vós, sendo ansioso, pode acrescentar um côvado à sua estatura?

²⁶ Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?

²⁷ Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.

²⁸ E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pequena fé?

²⁹ Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos.

³⁰ Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas.

³¹ Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

³² Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.

³³ Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.

³⁴ Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.

[1] Em fonética, “gutural” descreve sons produzidos na parte posterior da boca, perto da garganta, ou seja, na região da laringe ou faringe. Em termos vocais, a palavra “gutural” pode se referir a um tipo de voz áspera, rouca ou grave, frequentemente usada em certos estilos musicais como o metal extremo

[2] v. 20-21: “Taci, maladetto lupo! / consuma dentro te con la tua rabbia.”

[3] Rapina, são animais que vivem da caça, que tem instinto próprio de caçar. Também significa apreensão violenta e roubo de propriedade alheia; pilhagem.

[4] v. 22-24: “Non è sanza cagion l’andare al cupo: / vuolsi ne l’alto, là dove Michele / fé la vendetta del superbo strupo.”

[5] significa inchada, abaulada, geralmente referindo-se a tecidos ou velas que estão infladas pelo vento. Também pode ter um sentido figurado de vaidosa, presumida ou envaidecida, semelhante a “inchada de orgulho”.

[6] Quali dal vento le gonfiate vele / caggiono avvolte, poi che l’alber fiacca, / tal cadde a terra la fiera crudele.”

[7] O Geena (em hebraico: גֵיא בֶן־הִנֹּם, Gê Ben-Hinnom, “Vale do Filho de Hinom”

[8] A antologia A palavra “ontológico” deriva de “ontologia”, que por sua vez vem do grego “onto” (ser) e “logia” (estudo ou conhecimento). Portanto, ontológico refere-se a tudo que diz respeito ao estudo do ser e da realidade

[9] Na mitologia, Caribdis era um monstro marinho que criava um redemoinho gigantesco, sugando e expelindo as águas do mar. As ondas geradas por este caos chocam-se umas contra as outras de forma incessante, violenta e, acima de tudo, improdutiva. Uma onda anula a outra.

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