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Um homem de manto vermelho caminha por um calçamento de pedra até um livro aberto que brilha, enquanto no céu escuro uma grande roda dourada de astrologia se parte em pedaços

Sermões O Céu A Bíblia versus o Secularismo

Feitiço do inferno

O hipócrita mente sobre si mesmo. O bajulador mente sobre você. O feitiço engana sobre o amanhã e sobre Deus.

Pregação do Pr. Jairo Carvalho na Quarta Expositiva de 4 de novembro de 2026, sobre Gênesis 1:27. Episódio 224.

Assistir à pregaçãoLer o sermão

Introdução

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos no fim de 2024 mostrou que três em cada dez adultos consultam horóscopo, cartas de tarô ou cartomante pelo menos uma vez por ano. Entre as mulheres de 18 a 49 anos, 43% dizem crer na astrologia.1 O feitiço não ficou na Idade Média. Está no celular, na estante e na tela.

Hipocrisia, bajulação e feitiço

Na lista que Virgílio fez no canto XI, depois da hipocrisia e da bajulação vem “quem faz feitiço”.2 O hipócrita mente sobre si mesmo. O bajulador mente sobre você. O feitiço engana sobre o amanhã e sobre Deus.

A quarta vala do oitavo círculo

Dante mostra esse pecado no canto XX, na quarta vala do oitavo círculo, onde estão os adivinhos e as mulheres que faziam feitiço com ervas e com bonecos. O feitiço promete uma coisa que não é dele: o amanhã.

Quadro 1 · Na quarta vala

A cabeça virada para trás

“Quem quis ver o futuro, que só Deus conhece, agora não vê nada à frente.”

No canto XX, Dante vê gente que vem “calada e chorando”, no passo lento das procissões. Cada um tem a cabeça torcida, com o rosto virado para as costas, e anda para trás, “porque o ver para frente lhes fora tirado”.3 Virgílio explica:

“«Olha: das costas ele fez o peito;
porque quis ver adiante além da conta,
olha para trás e anda às avessas.»”4

Por que os adivinhos de Dante andam de costas?

O castigo é justo. Quem quis ver o futuro, que só Deus conhece, agora não vê nada à frente.5 Deus já tinha dito: “que desfaço os sinais dos inventores de mentiras e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios e transtorno a ciência deles” (Isaías 44:25).6

E vêm devagar porque o adivinho não dá um passo fora da hora marcada pelos astros.7 Salomão falava do lavrador, mas o princípio serve: “Quem observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará” (Eclesiastes 11:4).8

Esperando o céu dar licença

Hoje há gente que não marca casamento, não assina contrato, não faz viagem sem antes olhar o signo do dia. Vive parada, esperando o céu dar licença.

Por que a Bíblia proíbe adivinhar o futuro? (Amós 3:7)

A Bíblia não proíbe o futuro porque saber seja ruim. Proíbe porque o futuro é de Deus: “Certamente o Senhor JEOVÁ não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). O que Deus quis mostrar, mostrou pelos profetas. O resto é dEle.

Quadro 2 · Na quarta vala

Aqui a piedade vive quando está morta

“Se você que me ouve já buscou essas coisas, a porta ainda está aberta.”

Dante chorou ao ver de perto “a nossa imagem” tão torcida.9 É a figura do homem, criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27), torcida pelo pecado até o rosto ficar do lado errado.

Virgílio o repreende: “Aqui a piedade vive quando está bem morta. Quem é mais perverso do que aquele que diante do juízo de Deus traz a sua paixão?”10 O pecado do adivinho é crer, ou fazer crer, que Deus se dobra, se negocia e se compra.11 Deus responde: “pensavas que era como tu; mas eu te arguirei” (Salmo 50:21).

No inferno, não ter pena deles é a verdadeira piedade, porque o juízo já foi dado.12 Aqui na terra é diferente. Enquanto há vida, a piedade está viva, e Deus chama todos.

A Bíblia condena a prática, não despreza a pessoa

A Lei chama o feitiço de “abominação ao SENHOR” (Deuteronômio 18:12), mas a Bíblia condena a prática sem desprezar a pessoa.

Agostinho consultava astrólogos, e muitos dos que queimaram seus livros em Éfeso tinham praticado artes mágicas. Deus alcançou todos eles. Se você que me ouve já buscou essas coisas, a porta ainda está aberta.

Quadro 3 · Na quarta vala

Do palácio à agulha

“Do palácio à cozinha, o feitiço pega rico e pobre.”

Na mesma vala, Virgílio aponta Michael Scot, o astrólogo preferido do imperador Frederico II.13 Quando ele morreu, um poeta da época anotou que Michael, que tinha previsto o destino dos outros, não escapou do seu.1415

Logo ao lado está Asdente, um sapateiro de Parma que largou o ofício para adivinhar e que agora queria de volta o couro e o barbante.16 E no fim vêm as mulheres sem nome: “as tristes que deixaram a agulha, a lançadeira e o fuso17, e se fizeram adivinhas; fizeram feitiços com ervas e com imagem”.18 Do palácio à cozinha, o feitiço pega rico e pobre.

A agulha era a ferramenta do trabalho honesto da casa. Elas passaram a usá-la para espetar bonecos de cera.19 O dom de Deus virou arma de maldade.

O que a Bíblia diz sobre feitiçaria (Deuteronômio 18)

Moisés fechou essas portas: “Entre ti se não achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos” (Deuteronômio 18:10-11). Entra na lista até a contagem de dias de sorte e de azar.2021

Feitiçaria e farmácia (Gálatas 5:20)

Paulo pôs as “feitiçarias” entre as obras da carne, logo depois da idolatria (Gálatas 5:20). A palavra grega é pharmakeía, de onde vem “farmácia”: o feiticeiro antigo trabalhava com erva e poção.22

O veneno no mel

João Crisóstomo, no século IV, respondeu à mulher que dizia que aquilo não era idolatria, era só um encantamento: esse é o ardil do diabo, “dar o veneno no mel”.23

Hoje o veneno continua com nome de mel: simpatia, amuleto, “energia”, proteção. O nome é bonito, mas a Bíblia chama de feitiçaria.

Quadro 4 · Signos, telas e o 31 de outubro

Os astros não mandam

“Quem encontra Cristo não volta pelo caminho das estrelas.”

Os astrólogos da Babilônia (Isaías 47)

Isaías desafiou os astrólogos da Babilônia: “levantem-se, pois, agora, os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e salvem-te do que há de vir sobre ti. Eis que serão como a pragana, o fogo os queimará” (Isaías 47:13-14). Não salvam nem a si mesmos.24

Agostinho e os astrólogos

Agostinho conta nas Confissões que, quando moço, consultava os astrólogos sem parar, porque eles “não ofereciam sacrifício nem dirigiam preces a espírito algum para adivinhar”.25

É a desculpa de hoje: “não é feitiço, é só signo”. E os astrólogos lhe davam um consolo: “foi Vênus que fez isso, ou Saturno, ou Marte”.

Assim o homem fica sem culpa, e quem leva a culpa é o Criador das estrelas. Hoje se ouve a mesma coisa: “sou assim por causa do meu signo”, “o mês está ruim porque o planeta está fora do lugar”.

Quem ajudou Agostinho foi um médico que tinha estudado astrologia para viver dela e largou, porque descobriu que era “falsíssima” e “não queria ganhar a vida enganando pessoas”.26 Quando o astrólogo acerta, diz Agostinho, é “não pela arte, mas pela sorte”.27

As estrelas não tiram o livre-arbítrio

O próprio Dante respondeu ao “foi Vênus”. No Purgatório, uma alma diz: “Vós que viveis atribuís toda causa somente ao céu […] Se assim fosse, em vós seria destruído o livre-arbítrio.”28 O homem não é escravo das estrelas: “escolhe, pois, a vida, para que vivas” (Deuteronômio 30:19).

E os magos que seguiram a estrela?

E os magos que seguiram a estrela? Crisóstomo respondeu que aquela estrela aparecia “ao meio-dia, com o sol brilhando”, e levou os magos a Cristo.29 Depois de adorar o Menino, eles “partiram para a sua terra por outro caminho” (Mateus 2:12).

O que fazer esta semana

Quem encontra Cristo não volta pelo caminho das estrelas. Por isso, se o aplicativo de horóscopo ainda está no seu celular, esta semana é dia de apagar.

Quadro 5 · Signos, telas e o 31 de outubro

A magia das telas

“O jovem sente que não controla nada: a nota, o namoro, o emprego, o futuro. A magia promete controle.”

A magia nos livros mais vendidos

Hoje o feitiço chega pela estante. Nos Estados Unidos, quatro dos dez livros mais vendidos de 2024 eram romances de fantasia cheios de magia, e a autora que mais vendeu no país naquele ano escreve justamente esse tipo de história.30

No primeiro semestre de 2024, a venda de livros de fantasia para adultos cresceu 85%.31 Uma das maiores editoras de ocultismo daquele país informou que oito de cada dez livros mais vendidos da sua história são de bruxaria, magia e paganismo.32

Magia no cinema e nas séries

No cinema e na televisão é igual. Uma série de livros sobre uma escola de bruxos vendeu mais de 600 milhões de exemplares, e os oito filmes tirados dela passaram de 7,7 bilhões de dólares de bilheteria.33

Na maior plataforma de filmes e séries pela internet, a série em inglês mais assistida de todos os tempos tem como heroína uma moça vidente, que tem visões do que vai acontecer.

Das dez temporadas mais vistas ali, quatro são histórias de poderes sobrenaturais.34 E numa rede social cheia de adolescentes, a marca “bruxaria” passava de 33 bilhões de visualizações em 2022.35

Por que a magia atrai os jovens?

Por que isso atrai tanto? C. S. Lewis explicou: “Para a magia e para a ciência aplicada, o problema é como dobrar a realidade aos desejos dos homens; a solução é uma técnica.”36

O jovem sente que não controla nada: a nota, o namoro, o emprego, o futuro. A magia promete controle. A oração do cristão vai na direção contrária: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mateus 6:10).

Por isso a Lei avisou: “não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações” (Deuteronômio 18:9). O perigo começa no aprender, e hoje se aprende muito pela tela.

Quadro 6 · Signos, telas e o 31 de outubro

O Dia das Bruxas

“No dia em que o mundo festeja a bruxa, nós lembramos a volta à Palavra.”

Qual é a origem do Halloween?

E há o 31 de outubro. O Halloween, o Dia das Bruxas, vem da festa celta de Samhain, quando se acreditava que as almas dos mortos voltavam para visitar as casas; a data era tida como boa para a adivinhação, e foi assim que bruxas e demônios ficaram ligados a ela.37

Nos Estados Unidos, a previsão para 2025 era de 13,1 bilhões de dólares gastos com a festa, e três em cada quatro pessoas diziam que iam participar.38 A moda chegou também às escolas e às festas daqui.

31 de outubro, Dia da Reforma

Mas a igreja protestante lembra outra coisa no 31 de outubro. Nesse dia, em 1517, segundo a tradição, Martinho Lutero pregou as suas 95 teses em Wittenberg, e a Reforma começou.39 No dia em que o mundo festeja a bruxa, nós lembramos a volta à Palavra.

Nárnia e as séries de bruxa: qual a diferença?

Isso não quer dizer que toda história com mágico seja aula de feitiçaria. Nas Crônicas de Nárnia, que o mesmo C. S. Lewis escreveu para crianças, quem faz feitiço é a vilã, e ela perde quem vence é Aslan, a figura de Cristo.

Em muitas séries de hoje é o contrário: a bruxa é a heroína, e o feitiço é o que resolve a vida dela. A diferença está aí. Uma história mostra o feitiço como mal; a outra ensina a criança a querer fazer. “Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda aparência do mal” (1 Tessalonicenses 5:21-22).40

O que fazer esta semana

Os Pais precisam ajudar seus filhos a selecionar o que devem estar assistindo, lendo e seguindo no celular, e converse com ele sem gritar. Jovens: se aquele perfil ensina simpatia, ritual ou “energia”, deixe de seguir. E no próximo 31 de outubro, conte a história de Lutero e da Bíblia aberta.

Quadro 7 · A conversa com os mortos

A cartomante na máquina

“O pecado não está no aparelho. Está no coração que faz do aparelho um oráculo.”

Tarô e horóscopo pela inteligência artificial

A inteligência artificial virou ferramenta de adivinhação. As pessoas pedem à máquina que tire tarô, faça mapa astral, leia a mão e o rosto por fotografia e diga a sorte do dia.41

Na China, só em fevereiro de 2025, mais de dois milhões de publicações numa rede social falavam de usar um desses programas para ler o futuro.42

No Brasil, 65% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos já usam inteligência artificial, e um em cada dez já recorreu a ela para falar dos próprios problemas e emoções.43

Conversar com os mortos pela tela

E não param na sorte. Já há empresas que recriam, com inteligência artificial, a voz, o rosto e o jeito de falar de quem morreu, e a família passa a conversar com o falecido pela tela.

Na China, pelo menos seis empresas oferecem esse serviço, e duas delas já atenderam, cada uma, mais de mil famílias. Em um ano, o preço caiu de dois ou três mil dólares para algumas centenas.44 Hoje, com menos de um minuto de vídeo de quem morreu, já se monta uma imagem que fala.45

As consequências já aparecem. Pesquisadores observaram que muitos usuários repetem a pergunta até a máquina dar a resposta que eles queriam ouvir.46 É engano de propósito.

O mesmo programa chinês recomendava comprar cristais e pedras raras: o feitiço continua sendo comércio. E o luto não acaba. Um professor chinês avisou que, desse jeito, “podemos ficar constantemente em estado de luto”.

Pesquisadores de Cambridge alertaram para “grande sofrimento” e para o risco de a pessoa ficar “perseguida digitalmente pelos mortos”.49 Um filósofo francês falou do perigo do vício e de trocar a vida real pela tela.

Consultar os mortos a favor dos vivos? (Isaías 8:19)

Isaías respondeu a isso há quase três mil anos: “não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? À lei e ao testemunho!” (Isaías 8:19-20). A máquina é obra de mãos humanas.

Ela junta o que os homens escreveram, inclusive os livros de astrologia e de magia, e devolve com cara de sabedoria. Mas não conhece o amanhã, e não traz ninguém de volta: “Pode isso ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas no meio dele não há espírito algum” (Habacuque 2:19).

O que fazer esta semana

O pecado não está no aparelho. Está no coração que faz do aparelho um oráculo. Use a tecnologia para trabalhar, estudar e anunciar o Evangelho, mas não peça a ela sorte, signo ou recado de quem morreu. Pai e mãe: saibam com quem seus filhos conversam quando estão tristes, e sejam vocês essa conversa.

E quando faltar direção: “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5).

Quadro 8 · A conversa com os mortos

Saul na casa da feiticeira

“O rei que tinha expulsado os feiticeiros foi bater na porta de uma feiticeira.”

A rebelião é como o pecado de feitiçaria (1 Samuel 15:23)

Quando Saul desobedeceu a Deus, Samuel lhe disse: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria” (1 Samuel 15:23). Quem se rebela põe de lado o verdadeiro Senhor e, na prática, aceita outro.51

Saul e a feiticeira (1 Samuel 28)

Anos depois, Samuel já tinha morrido, e “Saul tinha desterrado os adivinhos e os encantadores” (1 Samuel 28:3). Os filisteus vieram, Saul perguntou ao Senhor, e o Senhor não respondeu. Então “disse Saul aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte”.

E foi, disfarçado, “e de noite vieram à mulher” (1 Samuel 28:7-8). O rei que tinha expulsado os feiticeiros foi bater na porta de uma feiticeira. Tinha expulsado o diabo do reino, mas o hospedava no coração, pela inveja contra Davi.52

No hebraico, ela é a dona de um ʾôb, palavra que em Jó quer dizer “odre”, vasilha de couro (Jó 32:19). Isaías fala dessa voz oca que vem de baixo: “e a tua fala assobiará desde o pó” (Isaías 29:4).53 Saul foi de noite e disfarçado.

Ainda é assim. Tem gente que de manhã está no culto e de noite, sem ninguém saber, está na consulta, na cartomante, no vídeo que “lê as cartas” pela internet.

Quadro 9 · A conversa com os mortos

O espírito que não era Samuel

“Quem não espera a voz de Deus acaba ouvindo outra voz, e ela pode até imitar a voz de um profeta.”

Saul pediu: “Faze-me subir a Samuel”. A mulher gritou e disse: “Vejo deuses que sobem da terra”.

E descreveu: “Vem subindo um homem ancião e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou” (1 Samuel 28:11-14). Quem viu foi a mulher. Saul reconheceu pela descrição dela.

Foi mesmo Samuel que apareceu a Saul?

Aquele espírito não era Samuel.54 Tertuliano escreveu: “Deus nos livre de supor que a alma de qualquer santo, muito menos de um profeta, possa ser arrancada do seu lugar de descanso por um demônio.”55

Lutero chamou a aparição de “certamente só um espectro do diabo”, e Calvino afirmou: “é certo que não era realmente Samuel”.56

Por que não era Samuel

A própria Escritura dá as razões. Deus já tinha se calado: “o SENHOR lhe não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (1 Samuel 28:6). E não ia falar justamente pelo caminho que Ele mesmo proibiu.

A mulher viu “deuses” subindo da terra, e Paulo diz quem está por trás dos deuses dos pagãos: “as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Coríntios 10:20).57

A mensagem se cumpriu, mas isso não prova quem falou. E o livro de Crônicas não diz que Saul consultou Samuel. Diz que ele “buscou a adivinhadora para a consultar e não buscou o SENHOR” (1 Crônicas 10:13-14).

Saul perguntou, mas não esperou a resposta só de Deus.58 Quem não espera a voz de Deus acaba ouvindo outra voz, e ela pode até imitar a voz de um profeta. É o que acontece hoje com quem procura “falar com um parente que morreu”.

O que fazer esta semana

Se a resposta de Deus está demorando na sua vida, não vá sozinho atrás de outra voz. Procure o seu pastor e peça que a igreja ore com você: “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16).

Quadro 10 · A voz verdadeira

A moça que dizia a verdade

“A pergunta certa não é “acertou?”, é “de onde vem?”.”

A jovem com espírito de adivinhação (Atos 16)

Em Filipos, Paulo encontrou “uma jovem que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores”.

Ela seguia os missionários gritando: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo”. “Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E, na mesma hora, saiu” (Atos 16:16-18).59

Por que Paulo calou quem dizia a verdade? Crisóstomo responde: “o demônio queria tornar-se digno de crédito”. E os patrões “queriam que a moça continuasse endemoninhada, para ganhar dinheiro com ela”.60

“Mas a cartomante acertou”

Até Shakespeare entendeu isso: “Muitas vezes, para nos ganhar para a nossa ruína, os instrumentos das trevas nos dizem verdades.”61 Hoje se ouve muito: “mas a cartomante acertou”. Por isso a igreja tem o dom de “discernir os espíritos” (1 Coríntios 12:10).62

A pergunta certa não é “acertou?”, é “de onde vem?”. E a profecia verdadeira tem outro alvo: “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação” (1 Coríntios 14:3).

Crente pode ser atingido por feitiço?

Há também o outro lado. Uma pesquisa publicada em 2026 mostrou que, no Brasil, 73% dos pentecostais creem que feitiços e maldições podem influenciar a vida das pessoas.63

Muito crente vive com medo de feitiço feito contra ele. Mas Balaão, contratado para amaldiçoar Israel, só conseguiu dizer: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Números 23:23).

Se você vive com esse medo, ore com esse versículo e com este: “maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 João 4:4).

Quadro 11 · A voz verdadeira

Os livros queimados

“Feitiço não se passa adiante.”

Os livros de magia queimados em Éfeso (Atos 19)

Em Éfeso, “muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram na presença de todos, e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil peças de prata. Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (Atos 19:18-20).

Uma peça de prata era o salário de um dia de trabalho.64 Eram uns cinquenta mil dias de trabalho, queimados diante de todos. Podiam ter vendido, mas queimar foi melhor do que vender, ainda que o dinheiro fosse dado aos pobres.65 Feitiço não se passa adiante.

Amarração, abertura de caminhos e dinheiro rápido

Lutero, no Catecismo Maior, descreveu os que fazem pacto com o diabo “para que ele lhes dê dinheiro farto, ou os ajude em casos de amor, guarde o seu gado, devolva-lhes coisas perdidas”.

É o mesmo cardápio dos anúncios de hoje: amarração do amor, abertura de caminhos, dinheiro rápido. E ensinou que a idolatria está “no coração, que fica de boca aberta para outra coisa”.66

O que fazer esta semana

Então, Faça como Éfeso. Livro de magia, amuleto, qualquer objeto de feitiçaria, o aplicativo no celular, o perfil que você segue: queime, jogue fora, apague. Não venda e não dê para ninguém.

Quadro 12 · A voz verdadeira

O Profeta que Deus deu

“O povo queria um oráculo. Deus deu uma Pessoa.”

O Profeta prometido (Deuteronômio 18:15)

Logo depois de fechar as portas do feitiço, Moisés disse: “Perfeito serás, como o SENHOR, teu Deus” (Deuteronômio 18:13).

Wesley comentou que isso é ser “sinceramente e inteiramente dEle, buscando-O e apegando-se a Ele e só à Sua palavra”.67 E veio a promessa: “O SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Deuteronômio 18:15). Deus daria ao seu povo, em palavra segura, aquilo que os pagãos tentavam descobrir.68

Pedro disse quem é esse Profeta: “Porque Moisés disse: O Senhor, vosso Deus, levantará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser” (Atos 3:22).

É o Senhor Jesus, e cada palavra dita por Ele é palavra viva e infalível do próprio Deus.69 O povo queria um oráculo. Deus deu uma Pessoa.

O futuro de quem crê

E o futuro não ficou escondido de quem crê: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça” (2 Pedro 1:19).

O crente não precisa de horóscopo para saber para onde a história vai. Tem a Bíblia aberta e espera a volta de Cristo. O horóscopo prende o amanhã numa fórmula.70

Deus abre o amanhã: “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5). Em vez de abrir o aplicativo do signo pela manhã, abra a Bíblia e ore.

ConclusãoO rosto firme

“Cristo não vende o amanhã. Ele é o Senhor dele.”

Jesus firmou o rosto (Lucas 9:51)

Os adivinhos de Dante andam com o rosto virado para trás, porque quiseram ver demais para frente. De Jesus, Lucas conta o contrário: “E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém” (Lucas 9:51).

No grego, está escrito que Ele “firmou o rosto”.71 Jesus sabia o que o esperava em Jerusalém, e foi assim mesmo, para a cruz.

A imagem verdadeira (Colossenses 1:15)

Dante chorou ao ver “a nossa imagem” torcida no fundo da vala. Paulo mostra a imagem verdadeira: Cristo, “o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1:15).

Fomos criados à imagem de Deus, e o pecado torceu essa imagem. Em Cristo, ela aparece inteira, de rosto firme. O livro, a série, o aplicativo e a cartomante prometem mostrar o amanhã e deixam a pessoa presa e com medo. Cristo não vende o amanhã. Ele é o Senhor dele.

Quem segue Cristo não precisa espiar o amanhã. Basta seguir Aquele que firmou o rosto e foi na frente.

Soli Deo Gloria!

Notas e fontes

68 notas do manuscrito do pastor, com as fontes citadas
  1. 1

    Pew Research Center, “3 in 10 Americans consult astrology, tarot cards or fortune tellers”, 21 de maio de 2025 (9.593 adultos, outubro de 2024): “30% of U.S. adults say they consult astrology (or a horoscope), tarot cards or a fortune teller at least once a year”; “20% of U.S. adults say they engage in at least one of these activities mostly ‘just for fun’”; “43% of women ages 18 to 49 say they believe in astrology”. A mesma pesquisa observa que essas práticas criaram a sua própria cultura no TikTok e em outras redes. ↩

  2. 2

    Benvenuto da Imola, Comentum super Dantis Aldigherij Comoediam, Inferno XI (ed. Lacaita, Florença, 1887, t. I; archive.org, item comentumsuperda00benvgoog): “ipocrisia, idest hipocritae, losinghe, idest adulatores, e chi affattura, idest malefici, qui affacturant et faciunt malias et incantationes”. O texto de Dante (Inf. XI.58, Petrocchi): “ipocresia, lusinghe e chi affattura”. A Enciclopedia Dantesca (verbete “affatturare”, Lia Baldelli) lê o verso como alusão aos magos: “fa incantesimi”, faz encantamentos. A mesma palavra malie volta em Inf. XX.123. ↩

  3. 3

    Inferno XX.7-15 (Petrocchi): “e vidi gente per lo vallon tondo / venir, tacendo e lagrimando, al passo / che fanno le letane in questo mondo. / Come ’l viso mi scese in lor più basso, / mirabilmente apparve esser travolto / ciascun tra ’l mento e ’l principio del casso, / ché da le reni era tornato ’l volto, / e in dietro venir li convenia, / perché ’l veder dinanzi era lor tolto.” Tradução nossa. Fonte: dantelab.dartmouth.edu. ↩

  4. 4

    Inferno XX.37-39, tradução nossa. Original: “Mira c’ha fatto petto de le spalle; / perché volse veder troppo davante, / di retro guarda e fa retroso calle.” Ao pé da letra: “Olha que fez peito das costas; porque quis ver demais adiante, olha para trás e faz caminho às avessas.” Virgílio fala de Anfiarau, um dos sete reis que atacaram Tebas, adivinho que, segundo a lenda, foi engolido pela terra. ↩

  5. 5

    Francesco da Buti, Commento, Inferno XX (ed. Giannini, Pisa, 1858-1862; it.wikisource.org/wiki/Commedia_(Buti)/Inferno/Canto_XX): “E prima si dè considerare che questa è congruente pena a tal peccato, imperò che degna cosa è che chi à voluto vedere le cose future, che non n’è possibile all’umana natura, se non quanto Idio gliele volesse revelare, non veggia nulla innanzi, anzi sia costretto a guardare addietro; e chi s’è rallegrato del vedere inanzi, pianga dell’essere rivolto addietro.” ↩

  6. 6

    Pietro Alighieri, filho de Dante, aponta Isaías 44:25 para este canto (segundo Hollander, nota a Inferno XX.13-15; Rossetti aponta Miquéias 3:6-7). No hebraico, “tornar atrás” é mēšîb ḥăkāmîm ʾāḥôr; a Vulgata traz convertens sapientes retrorsum. Nenhum comentarista liga expressamente esse “para trás” às cabeças torcidas: a ligação é nossa. Hollander resume o castigo: os adivinhos olham para trás “for having looked, with wrongful intent, into the future”. ↩

  7. 7

    Benvenuto, Comentum, Inferno XX.9 (t. II, OCR): “isti divinatores incedunt lente in omnibus agendis, quia procedunt cum deliberatione vana, facientes omnia ad motum coeli vel volatum avis; nam nihil faciunt, nec permittunt fieri nisi sub certo puncto, et sic stant semper.” ↩

  8. 8

    Albert Barnes, Notes on the Bible, Eclesiastes 11:4 (o versículo fala da cautela excessiva do lavrador; a aplicação aos adivinhos é nossa): “the man who is always gazing on the uncertain future will neither begin nor complete any useful work.” Gill, no mesmo verso: quem espera que todas as dificuldades se resolvam “may lose his seedtime and never sow at all.” ↩

  9. 9

    Inferno XX.19-25: “Se Dio ti lasci, lettor, prender frutto / di tua lezione, or pensa per te stesso / com’ io potea tener lo viso asciutto, / quando la nostra imagine di presso / vidi sì torta, che ’l pianto de li occhi / le natiche bagnava per lo fesso. / Certo io piangea, poggiato a un de’ rocchi…” Dante diz que as lágrimas desciam até as nádegas; no púlpito, dissemos “pelas costas”. Hollander observa que este é o quarto apelo ao leitor no Inferno. ↩

  10. 10

    Inferno XX.27-30: “Ancor se’ tu de li altri sciocchi? / Qui vive la pietà quand’ è ben morta; / chi è più scellerato che colui / che al giudicio divin passion comporta?” Tradução nossa. O jogo está na palavra pietà, que em italiano é ao mesmo tempo “piedade” e “compaixão”. Benvenuto e Buti leem o v. 30 com variante (“porta compassion”, “compassion porta”). ↩

  11. 11

    Hollander, nota a XX.28-30: “Perhaps the tercet in the canto that has caused the most debate”; e sobre passion comporta: “the sin of the diviners is to believe (or to represent) that God is like us.” ↩

  12. 12

    Benvenuto, Comentum, Inferno XX.28 (ed. Lacaita, t. II, OCR): “Ergo vera pietas est non habere hic pietatem, sed crudelitatem contra tam crudeles”; “ultra facultatem naturae humanae in tanta caligine rerum positi voluerunt ascendere coelum viventes, usurpare sibi divinum officium, inquirendo futura, illi soli cognita”; “quanto plus mentiuntur, tanto plus dicunt se dicere verum”. Buti, no mesmo verso: “cioè non aver pietà delli infernali è esser pietoso”. ↩

  13. 13

    Frederico II (1194-1250), imperador do Sacro Império Romano-Germânico e rei da Sicília. A sua corte, em Palermo, reunia sábios, tradutores e astrólogos. Foi excomungado mais de uma vez pelo papa. Dante o põe no canto X do Inferno, entre os hereges: “qua dentro è ’l secondo Federico” (Inf. X.119), “aqui dentro está o segundo Frederico”. Fonte: Encyclopaedia Britannica, verbete “Frederick II, Holy Roman emperor”. ↩

  14. 14

    Inferno XX.115-120: “Quell’ altro che ne’ fianchi è così poco, / Michele Scotto fu, che veramente / de le magiche frode seppe ’l gioco. / Vedi Guido Bonatti; vedi Asdente, / ch’avere inteso al cuoio e a lo spago / ora vorrebbe, ma tardi si pente.” Tradução nossa. ↩

  15. 15

    Enciclopedia Dantesca, verbete “Michele Scotto” (Cesare Vasoli): “Filosofo e astrologo (nato in Scozia nella seconda metà del sec. XII, morto prima del 1236)”; de Frederico II foi “l’astrologo preferito”. Dictionary of Scientific Biography, verbete de Lorenzo Minio-Paluello: uma profecia em versos sobre o futuro de cidades do norte da Itália foi atribuída a Michael; Henrique de Avranches, escrevendo a Frederico II por volta do início de 1236, “noted that Michael, who had predicted the fate of others, had himself succumbed to fate.” O DSB observa que não há documento oficial do título de “astrólogo do imperador”, que vem dos cronistas. ↩

  16. 16

    Benvenuto, Comentum, Inferno XX.118-120 (t. II, OCR): “Iste fuit quidam calcifex de Parma, qui dimissa arte sua dedit se totum divinationi, et saepe multa ventura praedixit”. Dante já zombara dele no Convívio IV.xvi.6. Buti o faz florentino, por engano; Dante, Benvenuto e o cronista Salimbene dizem Parma. ↩

  17. 17

    A agulha, a lançadeira e o fuso eram as ferramentas do trabalho da mulher em casa. A lançadeira é a peça do tear que leva o fio de um lado para o outro, tecendo o pano; o fuso é a haste em que se torce e enrola o fio na hora de fiar. No original: “l’ago, / la spuola e ’l fuso” (Inf. XX.121-122). ↩

  18. 18

    Inferno XX.121-123: “Vedi le triste che lasciaron l’ago, / la spuola e ’l fuso, e fecersi ’ndivine; / fecer malie con erbe e con imago.” Tradução nossa. ↩

  19. 19

    Benvenuto, Comentum, Inferno XX.121-123 (t. II, OCR): “che lasciaron l’ago, idest artem suendi, la spola, idest artem texendi, e ’l fuso, idest artem filandi”; “mulieres veneficas facientes maleficia et malias”; “omnis terra est plena talibus vetulis facientibus talia”; “ad pungendum imagines quas de cera faciunt”; “Unde Venetiis vocantur herbariae.” ↩

  20. 20

    Keil e Delitzsch, Commentary on the Old Testament, Deuteronômio 18:10-11: “Moses groups together all the words which the language contained for the different modes of exploring the future.” Hebraico (BDB e Strong, biblehub): ḥōbēr ḥāber, “atar nó mágico, encantar” (H2266); yiddᵉʿōnî, de yādaʿ, “saber”: “o sabido” (H3049); mᵉkaššēp, “praticar feitiçaria”; Strong: “sussurrar um encanto” (H3784). A Septuaginta traduz mᵉkaššēp várias vezes por pharmakós (Thayer), a palavra de Apocalipse 21:8 e 22:15. ↩

  21. 21

    Matthew Henry, Concise Commentary, Deuteronômio 18: “All reckoning of lucky or unlucky days, all charms for diseases” (entre as práticas proibidas); ele chama os adivinhos de “mere impostors who blind and cheat their followers”. ↩

  22. 22

    Grego pharmakeía (Gálatas 5:20; Apocalipse 18:23). Thayer: “a. o uso ou a administração de drogas; b. envenenamento (Apocalipse 9:21); c. feitiçaria, artes mágicas, muitas vezes ligadas à idolatria e alimentadas por ela”. ↩

  23. 23

    João Crisóstomo, Homilia 8 sobre Colossenses (trad. inglesa NPNF, newadvent.org/fathers/230308.htm): a mulher diz “here, there is no idolatry, but simple incantation”; Crisóstomo responde: “this is the device of Satan, this is that wiliness of the devil to cloak over the deceit, and to give the deleterious drug in honey.” ↩

  24. 24

    Keil e Delitzsch, Isaías 47:14: “these very wise men cannot save themselves, to say nothing of others”; o fogo é “no comforting coal-fire to warm one’s self by, no hearth-fire”. Jamieson-Fausset-Brown, v. 13: os prognosticadores das luas novas são “those who at each new moon profess to tell thereby what is about to happen”. ↩

  25. 25

    Agostinho, Confissões IV.3.4 (latim, The Latin Library; trad. inglesa NPNF, newadvent): “ideoque illos planos quos mathematicos vocant plane consulere non desistebam, quod quasi nullum eis esset sacrificium et nullae preces ad aliquem spiritum ob divinationem dirigerentur”; os astrólogos diziam: “de caelo tibi est inevitabilis causa peccandi” e “Venus hoc fecit aut Saturnus aut Mars”. Na Antiguidade, mathematici eram os astrólogos. ↩

  26. 26

    Confissões IV.3.5: o médico estudara astrologia para viver dela e a largou “nisi quod eas falsissimas comperisset et nollet vir gravis decipiendis hominibus victum quaerere”; o acerto ocasional vem da “vim sortis”, como quando se abre ao acaso o livro de um poeta. O nome Vindiciano aparece em VII.6.8. ↩

  27. 27

    Agostinho, Confissões VII.6.10 (The Latin Library): “non ergo arte sed sorte”. Ele chega a essa conclusão pela história de dois meninos nascidos na mesma hora, sob as mesmas estrelas, um filho de família rica e o outro filho de uma escrava, com vidas opostas (VII.6.8-9). ↩

  28. 28

    Purgatório XVI.67-76 (Dante Lab): “Voi che vivete ogne cagion recate / pur suso al cielo, pur come se tutto / movesse seco di necessitate. / Se così fosse, in voi fora distrutto / libero arbitrio, e non fora giustizia / per ben letizia, e per male aver lutto. / Lo cielo i vostri movimenti inizia; / non dico tutti, ma, posto ch’i’ ’l dica, / lume v’è dato a bene e a malizia, / e libero voler.” Tradução nossa. Marco Lombardo fala no círculo dos iracundos. ↩

  29. 29

    João Crisóstomo, Homilia 6 sobre Mateus (trad. inglesa NPNF, newadvent.org/fathers/200106.htm): a estrela “appears not in the night, but in mid-day, while the sun is shining”; “For surely this is not the business of astrology, to know from the stars who are born, but from the hour when men are born to predict what shall befall them.” ↩

  30. 30

    Lista dos dez livros mais vendidos de 2024 nos Estados Unidos, segundo a Publishers Weekly com dados da Circana BookScan (reproduzida em Literary Hub, “These were the bestselling books of 2024”): em 2.º lugar A Court of Thorns and Roses e em 9.º A Court of Mist and Fury, de Sarah J. Maas; em 7.º Iron Flame e em 8.º Fourth Wing, de Rebecca Yarros, todos romances de fantasia com magia. Sobre a autora: NPR, “Readers flock to fantasy and dark romance love stories”, 29 de junho de 2025, citando a Circana: Sarah J. Maas vendeu 10 milhões de exemplares impressos e foi a autora mais vendida do mercado americano em 2024; a analista Brenna Connor, da Circana: “Romantasy was the highest growth category of the entire print book market in 2024.” No púlpito não citamos títulos nem autores. ↩

  31. 31

    Publishers Weekly, “With fantasy on fire, print book sales are catching up to 2023”, 15 de julho de 2024 (dados da Circana BookScan, janeiro a junho de 2024): “adult fantasy sales skyrocketed 85.2% over the first six months of 2023”. Arredondamos para 85%. ↩

  32. 32

    Publishers Weekly, “Witch titles take magickal flight” (artigo de cerca de 2021, que comenta as listas de 2021 e os lançamentos de 2022): segundo a editora Llewellyn, os títulos de bruxaria, magia e paganismo são “eight in 10 of their all-time bestsellers”. O dado é da própria editora. ↩

  33. 33

    Editora Scholastic, “Harry Potter: highlights and milestones”: “More than 600 million copies of Harry Potter books have sold worldwide”; “Harry Potter is published in 85 languages.” Guinness World Records, “Highest-grossing fantasy film series”: os oito filmes da série (2001-2011) arrecadaram “$7,726,174,542” no mundo. No púlpito não citamos o título, para não atacar uma obra pelo nome; o que importa é o tamanho do mercado da magia. ↩

  34. 34

    Lista das séries em inglês mais assistidas da Netflix, pelos dados oficiais da plataforma (Netflix Tudum, contagem dos primeiros 91 dias de cada temporada), reproduzida em Tom’s Guide, atualização de 14 de janeiro de 2026: 1.º Wednesday (temporada 1), 3.º Stranger Things (temporada 4), 4.º Wednesday (temporada 2) e 6.º Stranger Things (temporada 5). Na primeira, a heroína tem visões do passado e do futuro; a segunda trata de monstros de um mundo sobrenatural. No púlpito não citamos títulos. ↩

  35. 35

    Breda O’Brien, “Chaotic, confused, commercialised WitchTok may signal a hunger for meaning and control”, The Irish Times, 29 de outubro de 2022: “#Witchtok had 33.2 billion views up to last week.” Ela chama o TikTok de “probably the most influential platform for Gen Z”. Reportagens mais recentes dão números maiores, que não conferimos. ↩

  36. 36

    C. S. Lewis, The Abolition of Man (ed. HarperOne, 2001), p. 77: “For the wise men of old the cardinal problem had been how to conform the soul to reality, and the solution had been knowledge, self-discipline, and virtue. For magic and applied science alike the problem is how to subdue reality to the wishes of men; the solution is a technique.” Tradução nossa. ↩

  37. 37

    Encyclopaedia Britannica, verbete “Halloween”: “Halloween had its origins in the festival of Samhain among the Celts of ancient Britain and Ireland”; “the souls of those who had died were believed to return to visit their homes”; “The period was also thought to be favourable for divination on matters such as marriage, health, and death”; “It was in those ways that beings such as witches, hobgoblins, fairies, and demons came to be associated with the day.” O nome vem de All Hallows’ Eve, a véspera do Dia de Todos os Santos (“The evening before All Saints’ Day became a holy, or hallowed, eve, from which the word ‘Halloween’ evolved”). Há historiadores que discutem o peso da origem celta. ↩

  38. 38

    National Retail Federation (EUA), comunicado de 18 de setembro de 2025: “Halloween spending is expected to reach a record $13.1 billion this year”; “nearly three-quarters of consumers (73%) plan to celebrate the holiday.” ↩

  39. 39

    Encyclopaedia Britannica, verbete “Reformation Day”: “anniversary of the day Martin Luther is said to have posted his Ninety-five Theses on the door of the Castle Church in Wittenberg, Germany (October 31, 1517), later identified by Protestants as the beginning of the Reformation.” Por isso dizemos “segundo a tradição”. ↩

  40. 40

    Grego de 1 Tessalonicenses 5:22: apò pantòs eídous ponēroû. Eîdos é “forma, espécie”: “abstende-vos de toda espécie de mal”. A ARC traduz “aparência”. ↩

  41. 41

    South China Morning Post, “Why Chinese youth embrace AI fortune-telling despite critics labelling it scam”: a inteligência artificial faz leituras pela astrologia chinesa, pelo tarô ocidental e pela leitura da mão e do rosto a partir de fotos; os usuários perguntam sobretudo sobre trabalho e vida amorosa. ↩

  42. 42

    Caiwei Chen, “How DeepSeek became a fortune teller for China’s youth”, MIT Technology Review, 3 de março de 2025: segundo o índice do WeChat, mais de 2 milhões de publicações mencionaram “DeepSeek fortune-telling” em fevereiro de 2025. Usuários e pesquisadores notaram que o programa recomendava comprar cristais, joias e pedras raras, o que foi atribuído aos textos promocionais usados no seu treinamento. No púlpito não citamos o nome do programa. ↩

  43. 43

    Pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 (Cetic.br/NIC.br), noticiada por Mobile Time em 22 de outubro de 2025: 65% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam inteligência artificial generativa; 10% recorreram a ela para falar de problemas pessoais ou emoções. ↩

  44. 44

    Zeyi Yang, “Deepfakes of your dead loved ones are a booming Chinese business”, MIT Technology Review, 7 de maio de 2024: pelo menos meia dúzia de empresas chinesas oferecem o serviço; a Silicon Intelligence atendeu cerca de 1.000 clientes e a Super Brain mais de 1.000 desde março de 2023. O diretor da Silicon Intelligence: “Last year, it cost about $2,000 to $3,000, but it now only costs a few hundred dollars.” Shen Yang, professor da Universidade Tsinghua: “we may constantly stay in the state of mourning”. Tradução nossa. ↩

  45. 45

    NPR, “Chinese companies offer to ‘resurrect’ deceased loved ones with AI avatars”, julho de 2024: o avatar mais simples da Silicon Intelligence custa 199 yuans (cerca de 30 dólares) e exige “less than one minute of high-quality video and audio”. Michel Puech, filósofo da Sorbonne, alerta para “the danger of addiction, and [of] replacing real life”. Tradução nossa. ↩

  46. 46

    Long Ling, Xiyu Zheng, Gengchen Cao e Ray LC, “‘Re-Tell the Fortune so I Can Believe It’: How Chinese User Communities Engage with and Interpret GenAI-based Fortune-Telling”, arXiv:2603.27784, 29 de março de 2026: estudo com 22 entrevistas e 1.842 publicações; alguns usuários repetem as perguntas até as respostas coincidirem com o que esperavam. ↩

  47. 49

    Thomas Macaulay, The Next Web, 9 de maio de 2024, sobre estudo da Universidade de Cambridge (Dr. Tomasz Hollanek): os deadbots imitam a aparência, a fala e a personalidade de pessoas falecidas; os pesquisadores alertam para o risco de a pessoa ser “digitally stalked by the dead” e afirmam que “these services run the risk of causing huge distress to people”. Tradução nossa. ↩

  48. 51

    Keil e Delitzsch, 1 Samuel 15:23: “Opposition to God is compared by Samuel to soothsaying and oracles, because idolatry was manifested in both of them.” Ellicott: a rebelião “set aside the true Master of Israel, and virtually acknowledged another”. No hebraico, “feitiçaria” aqui é qesem, adivinhação. ↩

  49. 52

    Matthew Henry, Concise Commentary, 1 Samuel 28: “Saul will drive the devil out of his kingdom, yet harbours him in his heart by envy and malice.” ↩

  50. 53

    BDB, ʾôb (H178): “odre” (Jó 32:19); “necromante” (Levítico 20:27); “espírito dos mortos, que fala da terra” (Isaías 29:4); em 1 Samuel 28:7, ʾēšet baʿalat-ʾôb, “uma mulher dona de um ʾôb”. Strong: “um odre, pelo som oco”. Fonte: biblehub.com/hebrew/178.htm. ↩

  51. 54

    Pensam que foi Samuel, por permissão de Deus: John Wesley, Explanatory Notes, 1 Samuel 28:12 (“God ordering it so for his own glory”) e 28:14 (“If it was not Samuel, but an other spirit in his shape, it is not true, that Saul perceived it was Samuel”); Adam Clarke (“I believe Samuel did actually appear to Saul”), Matthew Henry, Keil e Delitzsch, Ellicott, e, entre os antigos, Justino, Orígenes, Ambrósio e Basílio (lista de Ellicott, Commentary for English Readers, 1 Samuel 28). Ellicott chama essa leitura de “the plain, common sense interpretation”. Registramos a divergência por honestidade; o sermão segue a outra leitura, pelas razões dadas no texto. ↩

  52. 55

    Tertuliano, Sobre a alma 57 (trad. inglesa ANF, ccel.org): “it was no less than this that was anciently permitted to the Pythonic (or ventriloquistic) spirit, even to represent the soul of Samuel, when Saul consulted the dead, after (losing the living) God. God forbid, however, that we should suppose that the soul of any saint, much less of a prophet, can be dragged out of (its resting-place in Hades) by a demon.” Logo depois ele cita 2 Coríntios 11:14. ↩

  53. 56

    Citados por Ellicott, Commentary for English Readers, 1 Samuel 28: Lutero, a aparição “was certainly merely a spectre of the devil”; Calvino, “It is certain that it was not really Samuel.” Ellicott diz que Efrém, o Sírio, também seguia essa leitura. Não conferimos as frases nas obras de Lutero e de Calvino. ↩

  54. 57

    Gregório de Nissa, Carta sobre a pitonisa (tradução inglesa, documentacatholicaomnia.eu; tradutor não indicado): a mulher “claimed to have seen gods ascending”, e Gregório lembra que os deuses das nações são demônios (Salmo 96:5 na Septuaginta); “the demon who appeared as Samuel and simulated his words, had cleverly imitated prophecy.” Ele usa também o grande abismo de Lucas 16:26; mas esse abismo, no texto, separa o seio de Abraão do tormento, e não os mortos dos vivos. Por isso usamos Lucas 16:27-31, onde o rico pede que alguém volte dos mortos e ouve que os vivos têm Moisés e os Profetas. ↩

  55. 58

    Pulpit Commentary, 1 Crônicas 10:14: “when he did inquire, he did not await the reply solely and exclusively of Jehovah.” Jamieson-Fausset-Brown: “He had done so in form (1Sa 28:6), but not in the spirit of a humble penitent.” ↩

  56. 59

    Grego pneûma pýthōna. Thayer: na mitologia grega, a serpente que guardava o oráculo de Delfos e foi morta por Apolo; daí “espírito de adivinhação”. Adam Clarke: “Having a spirit of Python, or of Apollo”; a moça “was only the organ by which the spirit acted.” ↩

  57. 60

    João Crisóstomo, Homilia 35 sobre Atos (trad. inglesa NPNF, newadvent.org/fathers/210135.htm): “the demon wished in fact to make himself credible”; “therefore he endures to speak what made against himself, that he may establish what made for himself”; “They wished the girl to be still a demoniac, that they might make money by her.” ↩

  58. 61

    William Shakespeare, Macbeth, ato 1, cena 3 (Folger Shakespeare): “And oftentimes, to win us to our harm, / The instruments of darkness tell us truths, / Win us with honest trifles, to betray ’s / In deepest consequence.” Tradução nossa. ↩

  59. 62

    Ellicott, 1 Coríntios 12:10: o discernimento é “the power to distinguish between the workings of the Holy Spirit and of evil and misleading spirits”. Sobre 1 Coríntios 14:3, Ellicott resume a profecia como “building up, stirring up, cheering up”. ↩

  60. 63

    Pew Research Center, “Religious and spiritual beliefs in Latin America”, 21 de janeiro de 2026 (mais de 6.200 adultos em seis países, pesquisa de 2024). Pergunta: “Do you believe that spells, curses or other magic can influence people’s lives?” No Brasil: “Pentecostal Protestants (73%) are far more likely than other Protestants in Brazil (53%)” a responder que sim. O dado mede crença, não prática. ↩

  61. 64

    Ellicott, Atos 19:19: a dracma era “a denarius or drachma for a day’s work” (cf. Mateus 20:2). As “letras de Éfeso” eram “small slips of parchment in silk bags, on which were written strange cabalistical words”. ↩

  62. 65

    Johann Albrecht Bengel, Gnomon Novi Testamenti, Atos 19:19 (trad. inglesa): “True religion abolishes bad books”; “This was better than to sell them, even though the money had been spent upon the poor.” Wesley repete a ideia nas suas Explanatory Notes. ↩

  63. 66

    Martinho Lutero, Catecismo Maior, Primeiro Mandamento (trad. inglesa de Bente e Dau, Project Gutenberg): “sorcerers and magicians, whose idolatry is most gross, and who make a covenant with the devil, in order that he may give them plenty of money or help them in love-affairs, preserve their cattle, restore to them lost possessions, etc.”; a idolatria está “in the heart, which stands gaping at something else”. ↩

  64. 67

    John Wesley, Explanatory Notes upon the Old Testament, Deuteronômio 18:13: “Sincerely and wholly his, seeking him and cleaving to him and to his word alone.” ↩

  65. 68

    Keil e Delitzsch, Deuteronômio 18:9-15: os profetas dariam a Israel, “in sure prophetic words what the heathen nations endeavoured to discover”. Por honestidade: eles leem o v. 15 primeiro como promessa da ordem dos profetas; a aplicação a Cristo vem de Atos 3:22 e de Clarke. ↩

  66. 69

    Adam Clarke, Commentary, Deuteronômio 18:15: “God here promises to give them an infallible guide”; “This prophet is the Lord Jesus, who was in the bosom of the Father, and who came to declare him to mankind”; “Every word spoken by him is a living infallible oracle from God himself.” ↩

  67. 70

    Enciclopedia Dantesca, verbete “Indovini” (Silvio Pasquazi): “Questi falsi profeti, pertanto, non sono falsi perché dicono cose false, ma perché si fanno conoscenti del futuro in modi e forme tali da escludere un futuro nuovo”; “negare – qui è la frode – quell’apertura al divino”. Pasquazi também cita Apocalipse 21:5 e compara os adivinhos à mulher de Ló. ↩

  68. 71

    Grego de Lucas 9:51 (SBLGNT): autòs tò prósōpon estḗrisen toû poreúesthai eis Ierousalḗm, “ele firmou o rosto para ir a Jerusalém”. ↩